sexta-feira, 23 de maio de 2008

Já marchavas

Parece que os cartazes alusivos à Marcha LGBT 2008 já estão prontos. Sabemos que vai ser dificl bater-se o recorde da marcha de São Paulo, mas nós gostamos de missões impossíveis.



As Panteras Rosa (uma das associações promotoras) disponibilizam no seu blog os flyers e o manifesto deste ano aqui.
E, como é bom descentralizarmos as coisas, o Porto organiza este ano, pela 3ª vez, a sua marcha no dia 12 de Julho. Ainda não há cartaz alusivo à 3ª marcha do Porto, por isso, os promotores estão a aceitar trabalhos vindos de gente criativa até dia 7 de Junho.
Não escrevi a palavra "Orgulho" e fi-lo de propósito. Ok, agora escrevi e vou explicar. Esta palavra faz tanta confusão (a mim também, admito) simplesmente porque é traduzida literalmente do Inglês "Pride". Creio que a semântica é diferente em cada uma das duas línguas. Orgulho em português tem uma carga um bocado negativa, pesada mesmo. É, aliás um dos 7 pecados, não é?
Pride, pelo contrário, soa-nos de forma mais positiva porque a carga semântica é diferente. Uma pessoa pode orgulhar-se de ser algo que construíu interiormente. É rídiculo orgulhar-se de aspectos como a sexualidade (uma orientação/preferência esporádica ou permanente) ou a raça (imposição genética). No entanto, a pessoa pode sentir-se orgulhosa por ter conseguido dar um passo importante. E é disso que se trata.



Este postal giríssimo veio directamente da criatividade de uma menina que ousou participar numa campanha promovida pela rede ex-aequo. Vale a pena dar um "lucky look" nos outros postais.
É importante mostrar às pessoas que não estão sozinhas, que não são as únicas no mundo. Não foi importante para vocês quando viram na televisão, pela primeira vez, uma marcha gay?
"Ah, não vou. Não gosto dessas coisas, parece-me exibicionismo demais. Acho que as pessoas podem ser o que quiserem mas não têm de andar aí a fazer marchas nem nada disso".
Para si, darling, que pensa assim, tenho uma recomendação: Volte para dentro do armário e não saia de lá nunca mais nem que lho implorem. Se não sabe o porquê de se fazer esta marcha, informe-se primeiro porque eu não vou colocar links, vou só dar pistas: Stonewall, 1969. Houve alturas em que ser-se homossexual (bissexual, transexual e tudo o que fossem sexualidades consideradas desviantes e fora da norma) dava direito a espancamento, cadeia, morte. Esta data vem marcar algumas conquistas que o ocidente concretizou aquando da revolta de Stonewall (já se informou, espero). Saberá que ainda hoje em muitos países (e até mesmo em Portugal - que não é só Lisboa) continuam a acontecer atrocidades deste género. Se não acontece à sua porta solidarize-se com aqueles que o sofrem na pele. Aliás, é bom relembrar que muitas vezes os problemas dos outros passam, mais dia menos dia, a ser, também, os nossos problemas. Hoje em dia está completamente démodé uma pessoa não se associar a causas. Não tenha vergonha e orgulhe-se de participar em tudo o que seja pela liberdade, igualdade e fraternidade.
"Ah, mas a minha familia pode detectar-me na televisão. Se calhar sou capaz de ir mas só ao arraial, à noite".
O quê? Você ainda está aí a levantar problemas? Que confusão que você me faz, miúda. A marcha não é uma marcha fúnebre. A marcha pode e deve ser encarada com optimismo. Há música para se dançar, pessoas para se conhecer. Se for filmada aja com naturalidade e seja cortês, não há nada mais desagradável do que ver lésbicas trombudas na televisão. Mostre-se descomplexada no seu melhor ângulo e a sua família orgulhar-se-á de ter uma menina aliada a causas (estamos a falar de direitos humanos, hein?).
Há uns 6 ou 7 anos houve um casal de velhotes que abordou o nosso grupo assim:
- Desculpem, isto é uma marcha de trabalhadores?
Risadinhas mal contidas e um súbito:
- Também somos trabalhadores, mas estamos aqui porque é a marcha gay.
- Gay?!? - o homem ficou a pensar naquela palavra mas a esposa esclareceu.
- Ah, sim. Como aquele nosso vizinho, sabes?
- Ah sim, claro.
- Podemos ir também?
Os velhotes desfilaram connosco e até tiveram direito a beber do espumante que tinhamos trazido do Algarve. Se até os velhotes desfilaram por solidariedade com o vizinho não desfilas tu porquê? Vá lá, ter medo de ir à marcha e aparecer no Arraial? Não seja mariquinhas que isso está completamente fora de moda, é out, darling, muito out!

Condessa X

4 comentários:

Anónimo disse...

Ok, ok, a darling já percebeu e vai lá estar.
Mas querida, bastava dizer que a menina e a x-pressiongirl vão para me convencer. ;)

Rebeca disse...

não há-de ser nem a primeira nem a ultima vez... é mais que certo que vou lá estar...

agora fazer sorrisinhos para a camara... isso não, digamos que fujo das camaras... seja no arraial, seja na marcha, ou em qualquer outro sitio, simplesmente não gosto de camaras...

Condessa X disse...

Anónim@ assim vamos tod@as juntinh@s para o basfond. ;-)
rebeca, ainda bem que também vai lá estar... quanto às câmeras, não se preocupe. Se não quiser ser filmada basta não levar lantejoulas e ir trajada como anda no dia-a-dia. Se há coisa que me enfurece é o facto de a comunicação social só gostar de filmar drag queens, travestis e transexuais. Dão mais audiência mas, por acaso, tenho visto cada vez menos, a cada ano que passa. É pena porque eu gosto de paradas animadas. Abraço!

Isidro Sousa disse...

La estaremos, minha krida!
E tens razao: quem tiver medo das camaras, nao se preocupe, pois estas so se preocupam, de facto, com «brilhos, plumas e purpurinas» que porventura possam encontrar no deslile. Como sabes, estive em todas as Marchas, sem medo das camaras, e nunca me dei conta de ter sido fotografado ou filmado...

Se este simples comentario contribuir para que eventuais indecisos, ou indecisas, se decidam a ir, fico contente.
Beijocas.

www.templo-do-prazer.blogspot.com