sexta-feira, 11 de março de 2011

Gerações à rasca

Concordo com a pluralização. De facto há mais do que uma geração à rasca e como diz o nosso amigo Jel "O nosso inimigo não é ninguém em particular, mas a resignação e o conformismo".



O protesto decorrerá nas seguintes cidades portuguesas:

Braga – Avenida Central, junto ao chafariz
Castelo Branco – Alameda da Liberdade (Passeio Verde)
Coimbra – Praça da República
Faro – Largo S. Francisco
Funchal – Praça do Município
Guimarães – Largo da Oliveira
Leiria – Fonte Luminosa
Lisboa – Avenida da Liberdade (frente ao cinema S. Jorge)
Ponta Delgada – Portas da Cidade
Porto – Praça da Batalha
Viseu – Rossio, em frente à Câmara Municipal.

E nas seguintes cidades europeias, junto às respectivas embaixadas:

Haia, Londres, Barcelona, Madrid, Berlim, Estugarda, Paris, Copenhaga, Ljubljana e Luxemburgo.

Para quem ainda julga que este é um protesto só para desempregados ou trabalhadores a recibo verde, aconselho vivamente a leitura do comunicado da ATTAC Portugal. Deixo aqui um excerto:

"A precariedade atinge todos os trabalhadores, com e sem formação académica, de todas as profissões e estratos sociais e não discrimina gerações. Atinge os mais velhos que, tendo perdido o emprego, não conseguem voltar a encontrar estabilidade no mercado de trabalho, e atinge todas as gerações com menos de 45 anos, que nunca tiveram um emprego estável. Atinge os seus pais, que na reforma deixam de poder contar com a ajuda dos filhos, miseravelmente pagos. Atinge as crianças, que vivem em famílias onde o dia começa com emprego, mas nunca se sabe como acaba. Atinge todos os que têm contrato permanente, porque também sofrem a pressão para a desvalorização dos salários e do seu trabalho.
Atinge ainda todos os que estão nos quadros dos seus locais de trabalho, uma vez que os seus postos de trabalho seriam muito mais baratos se preenchidos por um precário ou estagiário. Esses trabalhadores tornam-se também precários, uma vez que o primeiro pretexto — uma recusa de fazer horas extraordinárias, uma doença, um erro apenas — será a oportunidade para tentar despedi-los, substituindo-os."



Até amanhã,

Condessa X


quinta-feira, 10 de março de 2011

De quem é a rua?


A meu ver, peca apenas pelo nome do movimento. Deveria chamar-se "Gerações à rasca". Se inicialmente a ideia era juntar jovens desemprecários num protesto apartidário, laico e pacífico, a verdade é que muitas pessoas diferentes virão a juntar-se neste protesto que será um tubo de ensaio para outros movimentos que, espero, sejam cada vez mais produtivos.
Os meus pais também têm um salário precário, os meus avós uma reforma precária e os filhos que ainda não tenho um dia perguntar-me-ão: "Maman, onde estavas tu, quando tudo isto estava a acontecer?"
Ainda que eu não fosse uma precária com alguns amigos e familiares, também precários, por solidariedade, eu teria de estar na manifestação. E falta muita solidariedade entre as mais diversas classes de trabalhadores e desemprecários. Uma greve de maquinistas, uma greve de polícias, uma greve de professores, uma manifestação de... Não se dividam, unam-se! E é isso que esta manifestação de "Gerações à rasca" propõe e é disso que a classe de bon-vivants comentadores e comilões da desgraça dos outros tem medo. Da nossa união.



Atente-se na ginástica de argumentos que a generalidade dos comentadores tem feito a este propósito:

Pacheco Pereira: "A precariedade dos jovens é culpa dos seus pais que vivem à larga, instalados na opulência de um contrato de trabalho."

Zé Manuel Fernandes, Helena Matos: "Esta geração é lixada pelos garantismos de que a geração dos pais gozou. Todos repetem “Não vão para a rua protestar. Protestem em casa, à mesa do jantar porque o salário dos vossos pais é que criou o desemprego dos filhos."

Isabel Stillwell: “Se os estudantes são escravos, são parvos, de facto. Parvos porque gastam o dinheiro dos pais e dos nossos impostos para irem estudar e não aprendem nada. (…) Os escravos não organizavam protestos nem iam para a rua, graças a deus."



Não será uma manifestação pela queda de governos ou governantes, como muitos comentadores políticos andam, propositadamente, a tentar fazer passar, mas sim uma concentração de pessoas que estão cansadas da canalhice desta gente corrupta que, tendo a faca e o queijo na mão, nos vão cortando às fatias.
Os Pachecos Pereiras, Isabeis Stillwells e Sousas Tavares odeiam-nos, naturalmente. Representamos a massa de gente que, embrutecida, lhes estenderia tapetes, não fosse a nossa sensatez. Esta gente só tem o poder que lhes atribuirmos. Esta gente odeia todos aqueles que por uma questão de sensatez e dignidade não se verga ao poder vigente, aqueles que dão prioridade à sua consciência, abdicando muitas vezes da sua carreira confortável como comentadores de sofá. Odeiam-nos, porque fizeram a escolha inversa e preferem passar a vergonha de defender o indefensável do que a vergonha de admitir que fizeram uma escolha pouco digna em prol de uma carreira, de um conforto, ou de um status. Odeia-nos, esta gente que vive com esse compromisso de ser cúmplice com a canalhice, em troca do seu bem-estar.



Só ainda não percebi muito bem o que pretende ganhar a Fenprof ao convocar uma manifestação de professores para o mesmo dia e à mesma hora, no Campo Pequeno, fazendo uma arruada até à 5 de Outubro. Partilho da opinião de Renato Teixeira, do 5dias, acho que a maioria dos professores vai mesmo descer a Av. da Liberdade.


"First they came for the communists, and I didn't speak out because I wasn't a communist. Then they came for the trade unionists, and I didn't speak out because I wasn't a trade unionist. Then they came for the Jews, and I didn't speak out because I wasn't a Jew.
Then they came for me and there was no one left to speak out for me."
Martin Niemoller


x-pressiongirl

P.S. - Sousa Tavares, se me viesses pedir dinheiro eu também não to emprestaria.

terça-feira, 8 de março de 2011

She's Bond

Daniel Craig aliou-se a uma campanha da Equals pelo centenário do dia da Mulher.
Para quem ainda ousa questionar a importância deste dia, eis alguns dos motivos.



Condessa X

quarta-feira, 2 de março de 2011

Mudar de camisola

No final do ano passado a banda de rock britânica Status Quo decidiu optar por uns camuflados.
O rock, aquele murro na barriga do poder, intimamente ligado ao espírito revolucionário e ao questionamento dos poderes vigentes, aparece agora deslumbrado pelo polvo, alegando que o faz por caridade.
Lembram-se da música "In the army now"? Costumava ser uma música de intervenção que questionava o suposto heroísmo de quem busca a glória e o recohecimento dos vizinhos, matando em terras alheias.
No final de 2010, a banda relançou o tema. Mudou a letra, vestiu camuflados e cantou ao lado de soldados, não pelo fim da guerra, mas para apoiar os soldados britânicos, através da "British Forces Foundation" e da "Help For Heroes", tendo ainda o desplante de apelar ao governo que suprima o IVA da venda do single.Vale a pena ver como mudando 6 linhas se muda de lado da barricada. A negrito aparecem as alterações.

A vacation in a foreign land [You're on your way to a foreign land]Uncle Sam does the best he can [Now's the time to do what you can]You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Now you remember what the draftman said
Nothing to do all day but stay in bed
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

You'll be the hero of the neighbourhood
Nobody knows that you left for good [Count the days till you're back for good]
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Smiling faces as you wait to land
But once you get there no one gives a damn [Side by side every woman and man]
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Handgrenades flying over your head
Missiles flying over your head
If you want to survive get out of bed
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Shots ring out in the dead of night
The sergeant calls stand up and fight!
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

You've got your orders better shoot on sight [You've got your orders better put things right]
Your finger's on the trigger
But it don't seem right [Now it's time to fight]
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Night is falling and you just can't see
Is this illusion or reality
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now


Xutos e Pontapés, Delfins, Rádio Macau, Peste e Sida, Pedro Burmester, Sitiados, Bastardos do Cardeal, Mão Morta, Mata Ratos, Sétima Legião, entre outros, estiveram entre os grupos portugueses que, também nos anos 80, uniram vozes pelo anti-militarismo, contra a guerra e contra o Serviço Militar Obrigatório. Algumas ainda existem. Não mudem é de camisola!

Condessa X