domingo, 28 de dezembro de 2008

Da comédia

Helena Martins começou este ano a tentar animar as lésbicas portuguesas. Rirmo-nos de nós próprios nem sempre é um exercício fácil. Imaginemos então que nos estamos a rir das outras. A Time Out publicou recentemente uma entrevista com Helena Martins que, se pouco me engano, terá começado as suas primeiras piadas lésbicas em Portugal no recém-nascido Candy Bar.
Admito que ainda não tive a oportunidade de conhecer o trabalho desta comediante e que me encontro deveras curiosa.
Agora a parte sem graça nenhuma. No fórum da REA, fazendo uma alusão a um sketch sobre "Engate Lésbico", a autora viu o seu tópico ser censurado. Eu também vi e graças ao print screen, rogo a quem tem vergonha que volte a colocar o dito tópico. Porque isto assim não tem graça nenhuma.



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P.S. - Uivemos, disse o cão.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Nova enquete: O Natal é

O T patrocina o Natal em parceria com a EDP. Eu gostava mais do T cor de rosa, dá logo outro ar à casa mas compreendo que o azul torne o Natal menos abichanado do que é. Foi uma ideia muito estratégica colocar os T's todos pela cidade a indicar o caminho para o Trumps.



Seguindo os T's plantados pela cidade fui dar, sem querer, à praça do Comércio e concontrei lá D. José, saudoso do Arraial Gay Pride. Aquelas penas em cima do chapéu dão-lhe um ar fixe, um bocado amaricado, mas fixe porque eu sei que naquela altura isso até era prova de muita macheza. Fica aqui uma sugestão de presente de natal para quem ainda está indeciso na escolha do meu presente: Um chapéu igual ao de D. José (mas sem pombos).



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P.S. - Se não encontrarem o chapéu pode ser um cavalinho como o dele (mas em branco).

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Resultados enquete: concordas com a atribuição de Prémios LGBT por parte de associações LGBT?

@s votantes concentraram-se no "sim". 73% (17 pessoas). 21% não concorda e apenas uma pessoa não se consegue decidir. É pena ser uma amostra tão pequena mas mesmo assim acho que já deu para calar a boca da Condessa (que tem andado muito caladinha ultimamente, possivelmente com a boca cheia de bombons que ganhou no natal). lol



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domingo, 21 de dezembro de 2008

Are you ready, boots?

Há cerca de uma semana Muntadhar al-Zaidi, jornalista iraquiano, manifestou publicamente o seu profundo desprezo por Bush. Muntadhar não fez nem metade do que cada um dos iraquianos (ou até muitos de nós) gostariam de fazer a esse miserável. Encontra-se preso e, segundo alguns relatos, tem sido torturado. O mundo está solidário com este corajoso homem mas ele precisará de muito mais do que de solidariedade. Por este motivo vários colectivos e associações apelam para que os portugueses se juntem aos protestos.
Importa mostrar que somos muitos os que gostariam de ter tido a oportunidade de, ao menos, tentar acertar na cara de Bush.
Terça-feira, dia 23 de Dezembro, às 18h levemos simbolicamente um sapato a ser deixado na Embaixada dos EUA, na Av. das Forças Armadas (metro Jardim Zoológico). Mais informações aqui.



Se quiserem treinar um pouco a vossa pontaria, podem testá-la aqui.



Condessa X

sábado, 20 de dezembro de 2008

Les biches

Claude Chabrol presenteou-nos nos finais dos anos 60 com estas veadas. Biche como quem diz veado fêmea.
A minha professora da primária a quem envio um grande beijinho diria: é a MULHER do veado.
Não é não que os animais não casam, professora. Nem os animais nem as bichas. E mesmo não se casando uma mulher é sempre MULHER, a única diferença é que não é MULHER DE.
Look at the trailer.



Deixo de presente o link para a primeira parte deste filminho. Mesmo que vos pareça que têm coisas mais interessantes para fazer, posso garantir-vos que não têm.


- Ah, mas a minha namorada está aqui comigo e agora não quer ver o filme. Ainda por cima francês, assim meio teatral, Chabrol... ah não sei.

Não seja saloia, abandone a sua namorada aí num canto se ela não quiser ver o filme, porque o drama de que vocês precisam está ali na tela!

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P.S. - Não se preocupem se não dominarem bem o Francês. O link que indico está legendado (podia estar melhor, é verdade) em Inglês.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Bichas e Semântica

Atentem nas três frases. Qual é a mais provável de se ouvir actualmente?

1. - Tenho de comprar uma bicha para o travão da minha bicicleta;




2. - Hoje fui ao banco mas como havia uma grande bicha e eu não podia esperar muito decidi regressar amanhã;

3. - Ouvi dizer que ele também é bicha.



A resposta é mais ou menos óbvia, não é? A palavra começou a ser tão usada naquele contexto supostamente depreciativo que gradualmente parece estar a desaparecer nos outros contextos, sobretudo, quando se pretende designar uma "fila". Já alguém viu uma fila de bichas ou uma bicha de bichas?
O sembikini andou à procura dos culpados. São eles:



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P.S. - A Porto Editora disponibiliza na Infopedia as mais diversas acepções para a palavra "bicha".

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

The (amazing) Kami Kase!

Rosa-que-fuma voltou a presentear o sembikini com palavras e desenhos. Todo o texto que se segue é da sua responsabilidade.

Li na CUM OUT uma coisa muito estranha: que as camionas julgam que têm que ser gajos para engatarem mulheres, que não se "arranjam" (montam, produzem) e que têm medo, sim, medo! de mostrar as formas femininas. E ainda dizem uma coisa mais gira sem se darem conta do paradoxo: que agora o que está a dar é ser capitalizável (cortar o cabelo no wip, se não me engano, a casa da fenomenal histeria ibérica, mas não é isso que está em questão), parecer um duh! homem....metrosexual. Não sei como é que arranjam isso de mostrar as formas femininas. Deve ser porque os homens metrosexuais também mostram formas femininas (as if...).



Vamo-lá-ver-se-nos-entedemus. O genero é performance. O sujeito constitui-se em acto. Não se nasce homem-mulher, mas fala-se e é-se falado nessa posição. As formas feminas só aparecem de duas maneiras: quando nuas, ou quando demonstradas artificialmente, como todas sabemos ao procurar a licra e elastano, ao depilar, maquilhar, ao fazer tudo o que não é cobrir o corpo para evitar o frio! (só há uma instância onde discuto feminilidade, e é na maternidade)



Por isso, desta vez, a minha solidariedade está com as camionas (e com a rainha malvada, que pelo menos lhes reconhece um potencial de gozo).

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Violência no namoro

Pedro domina Joana. Isabel controla Luís. Zé maltrata Ana. Ricardo humilha Filipe. Rita engana Cláudia. x-pression insulta condessa.



Uma recente campanha da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, com o apoio de órgãos nacionais e internacionais pretende chamar a atenção para as várias formas que a violência pode assumir.
Quando se ouve falar em violência somos levados, qual cãezinhos de Pavlov, a pensar apenas em violência física, que é aquela que deixa marcas e que se consegue provar. As formas de violência que são invisíveis são precisamente aquelas que conduzem à violência física. Como nem sempre são fáceis de detectar, a vítima tende a subvalorizá-las não as entendendo, de facto, como agressoras.
Dominar, controlar, maltratar, enganar, mentir, humilhar e insultar são apenas algumas delas.
Esqueçam o ditado "entre marido e mulher não se mete a colher" porque tão criminoso é quem aperta o gatilho como quem finge que não viu o crime.
O site em questão tem breves notas exlicativas ao longo dos 3 testes (serei vítima? serei cúmplice? serei agressor?).

800 202 1448 é o número do serviço de informação e denúncia.

Condessa X

domingo, 14 de dezembro de 2008

Trumpsilvanya

Para compensar a falta das festas de espuma neste passado Verão, o Trumps decidiu agora compensar os habitués propondo-lhes Domingos novos.
Para quem redescobriu o prazer de voltar a sair aos Domingos esta é uma boa notícia a somar aos achados domingueiros. Dizem as boas línguas que o Trumpsilvanya é um espectáculo imperdível.



Se preferires passar o domingo sentad@ no sofá, escolhe o do Purex que o teu Domingo será com certeza bem mais animado.


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Nova enquete - Concordas com a atribuição de prémios por parte das associações LGBT?

A questão que se coloca aqui NÃO é se reconhecem o trabalho das associações LGBT mas sim se acham positiva a existência de um evento que premeie formalmente figuras públicas ou instituições que de algum modo tenham abordado positivamente a questão LGBT.
Este vídeo é do ano passado mas revela, pela voz das próprias associações que os atribuem, o objectivo destes eventos.

video


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P.S. - Condessa, agradecia que só votasse no final para não estragar logo a votação, está bem? :-)

sábado, 13 de dezembro de 2008

As minhas fantasias sexuais são - resultados enquete

A votação era de escolha múltipla e como continha duas questões, decidi parti-las em dois gráficos de melhor leitura. Esta semana participaram apenas 36 votantes. Os dados apresentam-se em %.



A maior parte dos votantes assume que as suas fantasias são sensuais (58%) e ousadas (47%).



Os 63% que fantasiam com mulheres mostram que este blog não é visitado somente por lésbicas ao contrário do que muita gente julga. Há bissexuais, heterossexuais e rapazes também. 33% fantasia com a namorada actual, o que revela bom gosto. Mensagem para os 11% que fantasiam com pessoas famosas: visitem menos o sembikini, deixem de ver televisão e saiam mais. ;-)

x-pressiongirl

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Girl Power #2

"The Chauffeur" é um vídeo muito sexy dos Duran Duran. Contrariamente ao que Condessa julgava, este vídeo não é de Royksöpp, ainda que "So easy" seja uma música que assenta lindamente no vídeo.
O autor do vídeo é Ian Emes, senhor com belíssimos trabalhos nas mais diversas áreas do audiovisual.
Agradeço à amiga que gentilmente partilhou a informação.



x-pressiongirl

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ensaio sobre os Prémios - parte II

Quem são afinal os premiados e por que motivo foram premiados?

Aurélio Gomes e Teresa Gonçalves

Foi com algum espanto que me apercebi que entre o grupo de pessoas com as quais interajo mais regularmente ainda não se sabia deste programa. De facto, escapou-me escrever um bikini sobre o mesmo talvez por também não ouvir rádio.
Estes dois locutores de rádio têm um espaço no Rádio Clube Português (RCP) cujo programa "Janela Aberta" se espalha por diferentes rubricas em cada dia da semana com três convidados (o trio). Há o trio.pt, o trio TV, o trio de lésbicas e o trio de gays. O programa passa às 15:30 às segundas (sendo que eles alternam, numa segunda os gays na outra as lésbicas). Compõem o trio de gays Paulo Corte-Real (Ilga), Paulo Vieira (Não te Prives), José Ribeiro (Ilga) e o trio de lésbicas Rita Paulos (ex-presidente da REA), Sara Martinho (Ilga) e Solange F (omnipresente).
Vale a pena clicar neste link para ouvir o Podcast.

Bernardo Mendonça, Solange F e Tiago Miranda

A propósito do coming out público de Solange F, Bernardo M e Tiago M fizeram uma reportagem com outras 5 mulheres (uma delas Sara Martinho) que também o assumem publicamente. Para estas 5 não houve prémios porque a Pelcor esgotou o stock de malas.

Elisabeth Barnard

Directora da revista Com' out (pela qual as 12 lésbicas da x-pression andaram a passear no 4º número e parece que depois disso nunca mais surgiram aqui no sembikini dando origem a uma grave descida no número de visitantes, bonito serviço minha menina!) que exprimindo-se num português de tons germânicos certamente ficaria agradecida com as aulas de português da x-pression.
Foram gentilmente distribuidos por entre a assistência dois números antigos da revista.
Apesar da diferença linguística Barnard fez-se entender na perfeição. Mencionou que, de facto, há papelarias e quiosques a boicotar a venda da revista. E isto não é só a ela que revolta é a todas as pessoas que sabem o que significa respeito pelo próximo.
No fim deixou a mensagem para continuarmos a comprá-la. Barnard conhece o público que tem. Sabe que entre os presentes poucos seriam os que nunca teriam tido qualquer contacto com a revista. São poderosos incentivos de marketing publicar excertos de relatos do fórum da rede ex-aequo. É ver os membros registados todos a gritar constantemente as mais hilariantes histórias relacionadas com a compra da revista só para ver quem sai publicado no número seguinte. Não censuro Barnard, ela trabalha para ganhar dinheiro e no lugar dela eu faria exactamente o mesmo: agradar o público ao qual me dirijo, fidelizar clientes e ainda fazer uma revista de qualidade é obra!
Toda aquela elegância germânica dentro daquela saia lindíssima deixaram-me louca de inveja, devo confessar.

Fernanda Câncio

Jornalista e cronista do DN. Segundo as fofoqueiras de serviço é namorada do 1º ministro (apesar de não gostar muito do senhor nem quando chove nem quando faz sol acho bem que ela namore com quem bem entender que isso para mim não tem nada de fracturante). Segundo os meus cálculos Fernanda Câncio vai bater um recorde do guiness por ser a jornalista mais premiada em Portugal (prémios de associações LGBT não lhe faltarão). A receber prémios, que seja como boa profissional, como boa cronista que me parece ser, apenas isso, não como porta-voz dos "coitadinhos" dos LGBT. E pareceu-me ler nas suas palavras algum incómodo quando disse que ao mesmo tempo que se sentia contente pelo reconhecimento da importância do seu trabalho se sentia "(...) triste por receber este prémio, porque enquanto este evento existir e enquanto se premiar pessoas por se assumirem, estes prémios serão um mau sinal".
Câncio manifestou alegria ao mencionar a recente postura do Vaticano relativamente à descriminalização da homossexualidade. Confesso que não percebi muito bem isto do Vaticano. Ou andámos a ler notícias diferentes ou Câncio ter-se-á enganado. Tenham a bondade de me corrigir se estiver enganada.
Referiu ainda a atribuição do prémio Arco Iris, da Ilga a Pinto Balsemão por este ter consentido que um dos jornalistas assumidamente gay gozasse de férias após o seu casamento celebrado no estrangeiro.
Eu acho que o nosso Berlusconi também merece um premiozinho Precariedade. Acham que não?

Fernanda Freitas

No programa que conduz na RTP2 "Sociedade Civil" lançou entre os convidados um debate sobre o acesso ao casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Obviamente foi importante ver discutido este tema na altura em que estavamos. Mas foi ideia da jornalista lançar este debate naquele dia? Não sei. Talvez tenha sido por isso que a jornalista tenha dedicado o prémio a toda a equipa que com ela trabalha no programa.
Fernanda Freitas subscreveu as palavras de Fernanda Câncio, e afirmou não achar natural "Premiar algo que devia ser encarado como normal". Informou ainda que este era o 7º prémio que a sua equipa recebia pelo trabalho contra a discriminação.
Soube que a filha de Fernanda Freitas tem uma coisa em comum comigo: adora barbies!
A diferença é que na falta de um Ken elas casam umas com as outras. No meu caso elas têm mais tendência para andarem umas com as outras haja ou não Kens por perto.
Relativamente à postura do jornalista Mário Crespo durante o debate, Freitas, que fora "colocada entre a espada e a parede" perante a pergunta do público que a pedia para tomar posição, foi brilhante: "Liberdade é isto: É os homossexais poderem casar e Mário Crespo poder continuar a achar que não".

Teresa Botelheiro

Autora da reportagem "Dois pais, duas mães", emitida na RTP1. Confesso não conhecê-la como profissional, mas simpatizei com a forma simples, e por isso cativante, com que falou o pouco que falou.
Disse que o prémio que recebia dirigia-o aos "protagonistas desta reportagem" que apareceram assumidamente, com as suas identidades e rostos expostos. Lamentou, no entanto, que fossem quase sempre as mesmas pessoas a aceitarem dar a cara, afirmando que "É importante que não sejam sempre os mesmos a aparecer. Esta é uma das grandes dificuldades que nós temos enquanto jornalistas", a meu ver referindo-se claramente aos "mártires" ou "heróis" (dependendo da perspectiva, mas normalmente os heróis são os que ganham prémios e os mártires são os outros) que as próprias associações LGBT tendem a fabricar.
Um rapaz da assistência apresentou-se como sendo um dos "protagonistas" da reportagem e afirmou que as suas hesitações aquando da possibilidade de dar a cara na reportagem eram altruístas. Ele é assumido e lida bem com isso mas mostrou-se hesitante porque ao aparecer na televisão estaria a expor também os seus pais a pessoas do círculo deles como pais de um homossexual. Convenhamos que nem todos os pais estão preparados para a, muitas vezes, dura tarefa de assumir que têm um filho homossexual.
Botelheiro comparou ainda a situação portuguesa com a espanhola em que uma mulher solteira pode, sem qualquer entrave, recorrer à inseminação artificial. Mencionou, e bem, que em Portugal as mulheres solteiras (hetero ou homossexuais) estão impedidas de recorrer à inseminação. O que ela não disse é que a inseminação caseira é ilegal e é capaz de render uma boa estadia atrás das grades. Quem quer engravidar sem recorrer directamente a um homem terá sempre de mentir.


Creio que terá sido a jornalista Fernanda Câncio que terá dito qualquer coisa como:

"Não são só os media que mudam a mentalidade das pessoas, esse papel cabe, sobretudo, às escolas, aos próprios manuais escolares que repetem as imagens de famílias monoparentais com papéis claramente definidos (a maman na cozinha com o filho a brincar com carrinhos e a filha com bonecas e o papá a consertar as coisas da casa). Somos educados por uma escola e por uma sociedade antes de se chegar aos media"

Condessa X

P.S. - Não sabia o nome da rapariga que trabalhou os excertos que se viam no ecran e cujo trabalho me pareceu deveras profissional mas Caramela teve a gentileza de me informar que a rapariga se chama Vanessa. Eu acho que Vanessa também merecia, ao menos, uma malinha da Pelcor porque é óptima profissional!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Ensaio sobre os Prémios - parte I

Tenho sempre dificuldade em relatar os eventos que anuncio neste espaço e nos quais acabo por aparecer. É-me mais fácil limitar-me a anunciar do que partilhar publicamente a minha visão subjectiva. Falo de um movimento que quero ver fortalecido e por isso mesmo sinto-me desconfortável quando lhe aponto coisas de que não gosto. O facto de não estar formalmente vinculada a nenhum movimento ou associação permite-me participar activamente no que considero bom e criticar o que acho que deve ser melhorado.
O Teatro S. Luiz esteve animado. Tudo me pareceu bem organizado, gente animada e, optima notícia, TODOS os premiados apareceram em pessoa (a x-pression não foi premiada mas consta que desp(ed)iu as espiãs que tinha preparado para o efeito e apareceu, ela mesma, em pessoa).
O grupo Nobody's Perfect trouxe os ABBA para amolecerem logo os nossos corações.
Quem leu o que escrevi no post sobre os Premios (co)media saberá entender que a minha posição é dúbia em relação a este tipo de eventos.
Começo por confessar a minha ignorância sobre a quem caberá a decisão de escolher os premiados. São os associados? É a direcção?
Não acho que se deva "premiar" uma postura que qualquer bom profissional (mediático ou não) deva ter em relação à temática LGBT. Penso, antes de mais, que a luta se trava não só nos media mas também dentro das próprias associações e, porventura, seriam os voluntários e activistas de cada uma das associações, que dedicam o seu tempo de forma muitas vezes oculta (não mediática) que deviam ser "premiados".
Se é verdade que considero esta premiação a "personalidades" um completo disparate, também é verdade que reconheço todos os méritos a cada uma das personalidades premiadas. Durante os seus próprios discursos compreendi um certo incómodo nesta bajulação (refiro-me especialmente a Fernanda Câncio, cujas palavras procurarei transcrever mais adiante). Não temos de adorar bons profissionais só porque eles dão visibilidade à causa LGBT e volto a dizer que todo este mediatismo e estes prémios desnaturalizam a forma como gostariamos que a homo/bi/transsexualidade (alguém da assistência chegou mesmo a lamentar a fraca visibilidade da comunidade transexual, dentro das próprias associações) fosse encarada.
Solange F ganhou um prémio por se ter assumido como lésbica enquanto figura pública. Não lhe terá sido particularmente fácil certamente. Mas isso deve ser motivo de prémio? Consta que Luis Goucha ficou roído de inveja e assumiu-se logo a seguir. Para o ano já ganha malinha da Pelcor. E a cantora Dina não se tinha assumido também há uns belos anos?
As figuras públicas não têm obrigação nenhuma de se assumir. A sociedade e a própria comunidade gay em particular é que devia ter o bom senso de não precisar que figuras públicas do seu agrado se assumissem para aceitarem os homossexuais ou para justificarem a sua própria homossexualidade como aceitável. Como disse Sara Martinho da Ilga, "É importante que sejamos visíveis! Se não se assumirem, as pessoas da vossa família e os amigos continuarão a julgar que não conhecem homossexuais". É um trabalho que tem de ser feito gradualmente dentro da nossa própria casa, no nosso círculo de amigos e quiçá familiares, ainda que não tenhamos essa obrigação.
Em pouco diferem os premiados da Ilga e da rede ex-aequo, tão pequeno é o nosso país. Chega a ser tão pequeno que os próprios premiados às vezes até se confundem com quem atribui o prémio.
A voz off anunciou os apresentadores do evento: "A presid, não, a ex-presidente e o ex-vice-presidente" da REA.
Compreende-se o quase equívoco dado que Rita Paulos nunca me pareceu ter baixado os braços na luta pela construção da REA como hoje a conhecemos ou pela determinação na luta pela causa LGBT. Isso sim merecia prémio, tal como outros activistas de longa data (aposentados ou ainda no activo) que esgravataram ao máximo para que hoje a nossa geração de LGBT's tenha conquistado o espaço que conquistou. Refiro-me a Clubes Safos, a donos de bares antigos e discotecas antigas (como o Trumps que abriu numa altura em que nem Ilga havia), a activistas do antigo Grupo de Trabalho Homossexual (GTH) do PSR, a fundadores da Ilga, ao fundador da Korpus, do Portugalgay entre dezenas de outros exemplos. Alguém da nossa geração ainda se lembra deles também?
Rita Paulos começou por fazer um apanhado das conclusões do Observatório da REA, informando que só durante este ano foram relatadas 92 queixas de homo e transfobia nas escolas. É um número gigantesco, sem dúvida.
Para os premiados havia uma caixa azul (tão misteriosa como aquela do Mulholand Drive até porque ninguém viu o que continha) possivelmente com alguma medalha; um simpático ramo de flores e uma mala da Pelcor.
Se eu tivesse onde plantar árvores plantava sobreiros porque as malas são giríssimas. Fica aqui a dica de presente de Natal para mim (a agenda feminista não é preciso porque eu já a tenho).


Condessa X

P.S. - Amanhã, pontualmente às 19:00 a Parte II deste post porque ele revela-se comprido. E não, a segunda parte não é sobre a festa na Maria Lisboa que isso já quase todos os outros blogues mencionaram e eu nem sequer fui à after party porque disseram-me que já não ía haver jogo do gelo e assim não tem graça nenhuma.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Girl, you'll be a woman soon

P'lo Natal meu presente eu quero que seja a Minha Agenda a Minha Agenda... te ne ne ne ne.
Essa Agenda já não existe e entretanto você cresceu, my darling. Ah, e páre de cantar essa musiquinha que você já não tem 12 anos.
Agora você é uma mulher que exige mais do que uma agenda com adivinhas, jogos ou passatempos.
Agora você é uma mulher informada e, por isso mesmo, inconformada. Como é uma mulher com ocupações e com interesses diversificados exige que a agenda contenha mais espaço a preencher por si do que pela entidade que as vende.
E se essa agenda trouxesse de brinde imagens e breves notas informativas sobre as mais diversas questões ligadas ao feminismo?



É claro que essa agenda só poderia ser a Agenda Feminista 2009.
Custa apenas €7 e podem encomendá-la através do e-mail da UMAR: umar.sede@sapo.pt

Condessa X

P.S. - Não tenho nada contra a "Minha Agenda" que tanto me divertiu em miúda, mas depois de receber esta notei que as comparações são inevitáveis. ;-)
Não é preciso ser-se feminista para se gostar desta agenda e não é preciso ter esta agenda para se ser uma verdadeira feminista.

O feminismo não é, torna-se!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

REA - Coordenadores locais para Évora

A rede ex-aequo (agora REA) Associação de jovens LGBTS procura jovens com idades comprendidas entre os 18 e os 26 anos para assegurar o funcionamento do grupo local de Évora.
O projecto Descentrar (cuja mãe era a ILGA) foi formalizado com a criação da rede ex-aequo. Descentrar era o nome de um projecto que previa a descentralização das associações LGBT, então concentradas na capital.
Ao longo de cerca de 5 anos (corrijam-me se estiver enganada) a rede ex-aequo tem mantido alguns grupos locais de apoio, dos quais se encontram em actividade os grupos de Aveiro, Braga, Coimbra, Faro, Lisboa e Viseu.
O grupo de Évora encontra-se inactivo há alguns meses e é esperado que ressuscite pela mão de 3 jovens voluntári@s cuja motivação seja reflectir, informar e desenvolver actividades para jovens LGBTS na sua região.
Mais informações e contactos aqui e aqui.


O prazo de entrega das candidaturas termina no dia 31 de Dezembro.

x-pressiongirl

Quem tiver interesse em fundar um grupo numa outra cidade pode informar-se aqui.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Hey barbie, play with me!

O tema da semana é polémico (tal como o beijo das outras): Barbies!
A barbie é mais do que uma boneca famosa, é um ícone. Já li bastantes críticas infundadas sobre a boneca que dizem que rebaixa as mulheres que não têm aquelas medidas nem aquelas formas.
Brincar às barbies é estudar os papéis sociais. O que é que eu quero ser, o que é que eu quero ter? A criança projecta na barbie aquilo que quer para si, tal como a sua própria mãe projecta na criança aquilo que queria para ela mesma. A barbie tem um carro, uma casa, tem amigas, colecciona namorados e tem empregos como hobbie. Não era o que todas queríamos?
Um dia a mãe disse-lhe: "Filha, tu não podes viver só dos teus hobbies. Tens de tirar um curso e casar-te com o Ken".
E repare-se que o discurso não é o mesmo quando se fala com um pequeno rapaz. Ao rapaz é-lhe dito que deve agir como um homem, ser um homem. À rapariga é-lhe dito que para ser uma verdadeira mulher tem de TER um homem.
O que aconteceu com a rapariguinha depois? A rapariguinha estava a ver um anúncio na televisão e foi aquela frase daquele anúncio que lhe despertou: "Para quê algodão quando posso ter seda?" Então a pequena rapariga percebeu que o Ken não tinha graça nenhuma e começou a trocá-lo por outras barbies.



Recolhi algumas memórias sobre a Barbie:

"Tenho bem presentes as memórias das minhas Barbies. Recordo-me que ainda novinha adorava despi-las e pô-las aos beijos umas com as outras. Acabavam sempre por trair os Kenes"

"Eu em miúda nunca me apercebi do meu gosto pelas "barbies", foi bastante mais tarde"

"Acho-a sexy mas ja nao tenho nenhuma. Gostava imenso das pernas delas"

"Lembro-me de pôr duas barbies aos beijos, vê-las juntar as bocas e pensar 'isto deve ser magnífico' "

O cromossoma XX andou a preparar uma sessão fotográfica com barbies lésbicas. Será bikinado em breve. Por enquanto terão de se contentar com este pequeno Lesbian-Barbie-Kamasutra-mini-video que consegui roubar.



Condessa X

P.S. - Lanço o desafio a quem quiser enviar vídeos ou fotos de uma mini-história com barbies (apenas das de brincar, ok?) para sembikini@gmail.com . Rezem para que nunca façam dinheiro com esta história das barbies senão a Mattel corre para o tribunal.