segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Violência no namoro

Pedro domina Joana. Isabel controla Luís. Zé maltrata Ana. Ricardo humilha Filipe. Rita engana Cláudia. x-pression insulta condessa.



Uma recente campanha da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, com o apoio de órgãos nacionais e internacionais pretende chamar a atenção para as várias formas que a violência pode assumir.
Quando se ouve falar em violência somos levados, qual cãezinhos de Pavlov, a pensar apenas em violência física, que é aquela que deixa marcas e que se consegue provar. As formas de violência que são invisíveis são precisamente aquelas que conduzem à violência física. Como nem sempre são fáceis de detectar, a vítima tende a subvalorizá-las não as entendendo, de facto, como agressoras.
Dominar, controlar, maltratar, enganar, mentir, humilhar e insultar são apenas algumas delas.
Esqueçam o ditado "entre marido e mulher não se mete a colher" porque tão criminoso é quem aperta o gatilho como quem finge que não viu o crime.
O site em questão tem breves notas exlicativas ao longo dos 3 testes (serei vítima? serei cúmplice? serei agressor?).

800 202 1448 é o número do serviço de informação e denúncia.

Condessa X

3 comentários:

marta disse...

Em primeiro lugar, parabéns pelo post.

“Quando se ouve falar em violência somos levados, qual cãezinhos de Pavlov, a pensar apenas em violência física, que é aquela que deixa marcas e que se consegue provar. As formas de violência que são invisíveis são precisamente aquelas que conduzem à violência física.” – concordo absolutamente com isto, o que acontece é que muitas vezes as campanhas baseiam-se nessa mesma ideia.

Há muitos anos atrás, mais de uma década, dominei e controlei a meu belo prazer. Fi-lo sem perceber, fui egoísta, má, mesquinha... um dia essa minha atitude levou a que o outro lado, o oprimido se revoltasse. Um dia trocámos de lados. Nesse dia, por total desconhecimento e um enorme sentimento de culpa aceitei as acusações a que me sujeitou, aceitei os telefonemas anónimos, que de anónimos nada tinham... aceitei as ameaças de morte... aceitei ter atenção redobrada aos carros que passavam por mim, para ter tempo de me desviar deles... aceitei que o meu carro devia ser apenas estacionado em locais onde estivesse sempre a ser visto sob pena de ficar com solas de sapatos marcadas nos faróis partidos... aceitei calar-me... afinal se a culpa era minha...
Em momento nenhum, um de nós bateu no outro.

Acontece que segui o link que indica, e os testes estão completamente virados para a violência física, lamentavelmente.
Eu não tenho duvidas de que fui agressora, nem as tenho de que fui vitima. Mas não as tenho hoje, aos 32 anos, porque que a vida já me ensinou uma coisita ou duas, mas na altura não sabia. Muitos miúdos hoje ainda não sabem. Muitos entrarão naquele site, farão os testes e ficarão felizes porque afinal não são nem vitimas nem agressores, muitos sairão de lá enganados!

Eu estou com esta conversa toda, mas na semana passada falei deste tema no meu blog e usei um exemplo de violência física... devia ter feito melhor, muito melhor.

Citadina disse...

Lucia Etxebarria aborda toda esta problemática das várias formas de violência nas relações no seu livro "Já não sofro por amor", numa abordagem inovadora, esclarecida e acessível.

Condessa X disse...

Marta, fiquei deveras sensibilizada com tudo aquilo que disse. Não deve ser fácil reconhecer-mo-nos nem na pele de um nem na pele do outro. Olho para mim e não consigo detectar claramente se alguma vez terei sido violenta ou vítima (é dificil perceber isto quando não há marcas, de facto, ou quando elas se descobrem apenas dentro do nosso coração).
Concordo em absoluto que aqueles testes pecam precisamente por manter a ideia de violência física. Fiz os testes e também obtive resultados ridículos. Deixei o link porque acho que as observações colocadas após cada resposta podem ser algo elucidativas.
Citadina, muito obrigada pela dica. Por acaso já li outros livros dessa autora mas nunca peguei nesse. Ficarei atenta logo que surja a oportunidade de lê-lo.