terça-feira, 2 de junho de 2009

A lucidez de Saramago

Encontrei na edição impressa do Informação uma breve entrevista ao escritor José Saramago sobre a sua associação ao Movimento pela Igualdade (cuja apresentação pública decorreu no passado Domingo, no cinema S. Jorge).
Gosto da sua lucidez.

Por que razão decidiu dar a cara por este movimento?

Dar a cara por um movimento de igualdade, seja ele qual for, é uma obrigação moral. Porque se trata exactamente disso: de igualdade. Achei que o manifesto estava muito bem estruturado. Por que não apoiar?

Acredita que este pode ser um passo decisivo?

Acho que sim. Temos de ver como é que a sociedade portuguesa vai reagir. O que não significa que esse movimento não se possa desenvolver, esperar e conseguir realizar as suas reivindicações. O importante é garantir direitos, é isso que está em questão.

Ajudava ter um político assumidamente homossexual?

Acho que não. Entrariamos num sistema de relações quase de casta em que os homossexuais protegem os homossexuais. Seria muito grave se as coisas fossem mais fáceis para os homossexuais por haver políticos com essa orientação.


Deixo aqui um presentinho para @s fãs de Saramago, porque em vésperas de eleições sabia bem que se reflectisse um pouco mais sobre democracia. ;-)



Condessa X

4 comentários:

Adoa disse...

Votos em branco ou nulos não invalidam eleição
2 Junho, 2009 - 17:51
Uma eventual maioria de votos em branco ou nulos nas eleições europeias, que se realizam no próximo domingo dia 7 de Junho, não invalida o escrutínio, esclareceu esta terça-feira a Comissão Nacional de Eleições (CNE).Na sequência da informação que tem vindo a ser veiculada na Internet que refere que uma maioria de votos em branco ou nulos invalida a eleição, a CNE emitiu uma nota oficiosa esclarecendo que essa informação não corresponde à verdade.

No texto, para além de ser reforçado o apelo à participação nas eleições europeias, é sublinhado que «os votos em branco, bem como os votos nulos, não sendo votos validamente expressos relativamente a cada lista concorrente à eleição, não têm influência no apuramento do número de votos e da sua conversão em mandatos».

A nota oficiosa, citada pela Lusa, assinada pelo presidente da CNE, João Carlos Caldeira, explica que são «os votos validamente expressos» que «contam para efeitos de apuramento dos mandatos a atribuir, ainda que o número de votos em branco seja maioritário».


Minha amiga... se os votos em branco näo contam para lhes dizer que as coisas estäo mesmo mal... que fazemos nós?

Os votos em branco deviam servir para mais do que eles querem e somos nós que deviamos dizer-lhes isso...

Condessa X disse...

Andei à procura da Constituição da República Portuguesa afim de confirmar a informação que nso avança, porque lembro-me de ter aprendido que o voto em branco era a expessão maior de descontentamento e que se a maioria usasse esse "poder" os candidatos não teriam qualquer legitimidade política para ocupar os cargos pretendidos e que deveriam convocar nova eleição. Infelizmente não tenho onde confirmar isto porque não me lembro se dizia claramente na Constituição. Acabo de ler essa notícia em vários jornais e o que nos transmite é preocupante. Se temos legitimidade só para elegê-los e não para demiti-los, não nos resta mesmo nada. Qual é então a diferença prática entre o voto nulo e o branco? Fiquei fula agora.

LR disse...

Praticamente, não é nenhuma :-)
Tecnicamente, o nulo está rasurado, expressa mais do que uma escolha, e não pode ser validado; o voto branco expressa indecisão ou indefinição pela preferência, logo não é voto validável (foi o que aprendi no liceu)
Há uns anos, salvo erro o PRP (de Isabel do Carmo) defendia justamente como slogan eleitoral: VOTO BRANCO OU NULO.
A melhor maneira de acalmar a fúria, Condessa, é fazer qualquer coisa para mudar o que a põe fula, e se todos os fulos e fulas o fizerem, a coisa muda :-)

Condessa X disse...

O meu voto branco (que nunca foi branco mas não descuro a possibilidade de um dia vir a ser) surgiria num dia em que não me revisse em nenhum dos partidos, ou que deixase de acreditar neste tipo de "democracia" em que, como diz saramago, nós apenas temos o "poder" de colocá-los lá mas não de questionar a própria democracia ou de tirá-los de onde os colocámos. Fico fula precisamente por me sentir impotente face ao que aqui foi descrito.