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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Marcha pelo Fim da Violência Contra as Mulheres

Hoje, dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as mulheres, está marcada uma concentração às 17h no Largo Camões, de onde @s marchantes se dirigirão para o Rossio.



A marcha é apoiada por mais de meia centena de associações e movimentos e é organizada conjuntamente pela UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta, Movimento SlutWalk Lisboa e ComuniDária - Associação de Integração de Migrantes e Minorias Étnicas. Lê-se no manifesto "A violência contra as mulheres é um fenómeno inerente à opressão patriarcal e à existência de culturas machistas e misóginas em diferentes sociedades, revelando inegavelmente o quão coxas ainda estão as nossas democracias.".
Importa que tod@s @s que têm voz a façam ouvir, já que @s verdadeiros oprimid@s jamais teriam como se juntar a esta marcha.
Este ano morreram já 23 mulheres em Portugal, vítimas de violência doméstica.
Entre marido e mulher, mete-se, obviamente



x-pressiongirl

P.S. - Neste link podem ler o manifesto na íntegra e dar o vosso próprio testemunho.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Mudar de camisola

No final do ano passado a banda de rock britânica Status Quo decidiu optar por uns camuflados.
O rock, aquele murro na barriga do poder, intimamente ligado ao espírito revolucionário e ao questionamento dos poderes vigentes, aparece agora deslumbrado pelo polvo, alegando que o faz por caridade.
Lembram-se da música "In the army now"? Costumava ser uma música de intervenção que questionava o suposto heroísmo de quem busca a glória e o recohecimento dos vizinhos, matando em terras alheias.
No final de 2010, a banda relançou o tema. Mudou a letra, vestiu camuflados e cantou ao lado de soldados, não pelo fim da guerra, mas para apoiar os soldados britânicos, através da "British Forces Foundation" e da "Help For Heroes", tendo ainda o desplante de apelar ao governo que suprima o IVA da venda do single.Vale a pena ver como mudando 6 linhas se muda de lado da barricada. A negrito aparecem as alterações.

A vacation in a foreign land [You're on your way to a foreign land]Uncle Sam does the best he can [Now's the time to do what you can]You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Now you remember what the draftman said
Nothing to do all day but stay in bed
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

You'll be the hero of the neighbourhood
Nobody knows that you left for good [Count the days till you're back for good]
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Smiling faces as you wait to land
But once you get there no one gives a damn [Side by side every woman and man]
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Handgrenades flying over your head
Missiles flying over your head
If you want to survive get out of bed
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Shots ring out in the dead of night
The sergeant calls stand up and fight!
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

You've got your orders better shoot on sight [You've got your orders better put things right]
Your finger's on the trigger
But it don't seem right [Now it's time to fight]
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Night is falling and you just can't see
Is this illusion or reality
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now


Xutos e Pontapés, Delfins, Rádio Macau, Peste e Sida, Pedro Burmester, Sitiados, Bastardos do Cardeal, Mão Morta, Mata Ratos, Sétima Legião, entre outros, estiveram entre os grupos portugueses que, também nos anos 80, uniram vozes pelo anti-militarismo, contra a guerra e contra o Serviço Militar Obrigatório. Algumas ainda existem. Não mudem é de camisola!

Condessa X

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Da corrupção

Pouco surpreende @s mais atent@s o artigo da Sábado que denuncia o envolvimento do PSD em obscuras manobras que lhe tem permitido sobreviver no panorama político português.
São este tipo de políticos que descredibilizam toda uma classe e envergonham os seus militantes (ou que deveria envergonhar, pelo menos os mais sensatos).
Já há uns anos o Bubu tinha fominha, olhou para meia dúzia de frigoríficos e transformou-os em votos. Papou todos, claro. Engoliu apitos dourados, engordou o BPN e arrota imunidade política para se recandidatar. Enumerem-me políticos que não estejam envolvidos em processos judiciais! Podem começar pelos bons amigos de Manuela Ferreira Leite ou até mesmo do 1º ministro. São gente boa, sem dúvida.



A notícia da Sábado só vem confirmar o que muitos de nós já suspeitava ainda que nunca o tivessemos ouvido da boca de quem com eles comia à mesa.
O artigo incide sobre o PSD mas não me surpreenderia se políticos de outras cores usassem dos mesmos métodos. Querem descredibilizar a classe política e a democracia, para que só vote quem lhes interessa que vote.
1. militantes angariados em bairros sociais a troco de meia dúzia de euros;
2. inscrição de militantes fictícios
3. chantagem sobre trabalhadores e avençados
4. ameaças e agressões físicas

Convido-vos a assistir aos vídeos das testemunhas e a ouvir as respostas telefónicas dos visados aqui.
Não há justiça neste país que lhes ponha a mão em cima?

Condessa X

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Vicky e Cassandra - uma história de violência

Com a devida autorização de glorybogz e nana, gostaria de publicar um texto de sua autoria, baseado em factos verídicos. Todo o excerto que aqui transcrevo é de sua responsabilidade. Para facilitar a leitura dos 6 capítulos indíco, logo abaixo, os respectivos links.
Gostaria de sugerir outros testemunhos de quem, de forma anónima, quiser contribuir com textos sobre este mesmo tema para sembikini@gmail.com .



Personagens:

Vitima: Vicky – Loira, cabelo curto, magra, baixa, gira, olhos castanhos.
Antes: Alegre, animada, forte, sensível, apaixonada pela vida
Depois: Depressiva, emotiva, sem força de vontade, desmotivada.

Agressora: Cassandra – Morena, cabelo comprido encaracolado, olhos verdes, estatura média, magra, sedutora.
Antes: Simpática (para quem quer), manipuladora, decidida, control freak, aparentemente forte mas no fundo, fraca.
Durante: mais controladora, mais agressiva, aparentemente mais confiante, moody.

Amiga: Ângela – Amiga da Vicky


Vicky sempre gostou de navegar na Internet, assim como Cassandra.
Uma noite em que a chuva se fazia ouvir, Vicky decidiu ficar em casa com a sua amiga Ângela em vez de irem ao cinema. Acabaram por andar a ver perfis de raparigas num desses sites do conhecimento comum.
– Olha esta! – diz Vicky, - Parece-me interessante! O nosso perfil coincide em algumas coisas e ainda por cima é gira!! Vou mandar-lhe uma mensagem.
No dia seguinte, Cassandra responde-lhe à mensagem e, após trocarem umas quantas marcaram um encontro para essa mesma noite.
Vicky e Cassandra encontraram-se pela primeira vez no Purex. Após trocarem algumas palavras, Vicky tem a sensação de que Cassandra vai ser uma pessoa importante na vida dela. Depressa se sentem dominadas por uma atracção inexplicável. Pouco tempo depois, conduzidas pelo desejo, Cassandra tem confiança suficiente para tomar a iniciativa de beijar Vicky. O desenrolar da noite faz a atracção que ambas sentiram desabrochar para uma paixão intensa e ardente. Começaram a sair mais vezes, de um modo mais intenso e, o que no inicio parecia ser só paixão, foi evoluindo, tornando-se em algo mais profundo.
Em poucas semanas de convivência intensiva, começaram a pensar num futuro juntas, não imaginado os seus dias uma sem a outra. Tudo estava perfeito – alegres, sorridentes, as suas gargalhadas eram constantes – enfim, ambas estavam felizes. Ambas tinham defeitos mas eram dificeis de apontar.
O primeiro conflito, a primeira forte discordância de opiniões, surgiu passados dois meses, mas não foi caso de alarme… afinal de contas os casais discutem e é “normal”.
Os amigos de Vicky começam a notar uma certa ausência e decidem convidá-la para uma saída. Vicky e Cassandra tinham-se perdido no mundo uma da outra e isso levou-as a um certo isolamento dos amigos habituais, mas ambas achavam que era normal e preferiam sempre estar as duas juntas. Além disso, Cassandra estava sempre a dizer que está sempre presente e disponível para Vicky, e sendo que ela é a prioridade número 1 da sua vida esperava obter uma certa reciprocidade nesse aspecto.
Vicky pondera a hipótese de sair com os amigos mas, talvez por se sentir inconscientemente pressionada pelas palavras fortes de Cassandra, optou por pensar numa desculpa e rejeitar o convite.

Capítulo II, Capítulo III, Capítulo IV, Capítulo V, Capítulo VI


sábado, 6 de junho de 2009

Votaste para as Europeias no dia 7?

Aproveitando as Eleições Europeias, achei que seria engraçado ver que importância dão as visitantes do sembikini à questão política. Se se revêem em algum partido, se dão alguma importância às europeias e se se sentem bem informadas.
Não tendo achado nenhum sítio que tivesse compilado os programas eleitorais dos partidos reservo-me no direito de lançar apenas a enquete.
Parece que se fez uma grande coisa ao recensear-se automaticamente todos os jovens com 18 anos, por todo o lado, nas ruas e nos transportes públicos uns cartazes assim a incentivar ao voto. Votar é fácil.
Pois, mas olhem que descobrir onde é que podemos votar (não é em quem, é onde, em que espaço físico, escola e mesa) nao é nada fácil. Tenho amigos que foram automaticamente recenseados e amigos que ganharam a nacionalidade recentemente e não soube responder nem lhes indicar onde se poderiam informar sobre o local onde se pdoeriam dirigir para exercer o seu "direito" de voto. Já agora gostaria também de ter o direito de tirá-los de lá quando me falhassem nas promessas que me levaram a elegê-los.
A propaganda lançada pelo Mi(ni)stério da Administração Interna apregoava:



e



Chamar-lhes de mentirosos é elogio. A única informação que o site do Recenseamento eleitoral indica é o número de eleitor, que de pouco serve se as pessoas não souberem onde se devem dirigir para votar. Indica o Distrito e a Freguesia, mas obviamente a freguesia onde se vota é a que esta registada como sendo a nossa freguesia de morada, portanto, agradecemos imenso as linhas de informação, o 3838, o MAI, o DGAI e a saloiada toda que trabalha em prol apenas de manter vivos estes organismos parasitários.
As juntas de freguesia têm o dever de divulgar onde votam os numeros de eleitores compreendidos entre xxx e xxx - zona 1 - escola x .... parece que custava muito terem divulgado isto na internet ou criarem uma linha específica para isso. Mas não, cria-se uma linha para se indicar só o número de eleitor e depois queixamo-nos da taxa de absteção. Os dinossauros políticos sabem que as novas gerações (sim, os que passaram a estar recenseados automaticamente) não gostam deles e portanto quanto mais novos votaram, maior percentagem perdem.
É triste a notícia que aqui comentaram sobre os votos brancos não valerem para nada, segundo a Comissão Nacional de Eleições (vejam que são os senhores que compõem o órgão porque eles têm caras e nomes).

Isto não vos revolta?
Mesmo que não votem amanhã, tentem votar nesta enquete. ;-)


Motivos para votar nas eleições amanhã:

1. O INM previu que iria estar um tempo agradável;
2. O vosso cão gosta de ir à rua convosco;
3. É um bom pretexto para conhecerem uma rapariga giríssima que queira participar convosco numa conspiração anti-sistema;
4. Devem votar numa mudança porque é na Europa que se decide tudo o que virá a afectar o país. A título de exemplo as propostas dos chulos, que sao os maiores partidos do parlamento europeu como vender-se pacotes de internet (comprar hi5, msn, blogger, tudo como se fossem canais de tv) ou aquela outra de as empresas fornecedoras de internet poderem cancelar o serviço a uma pessoa que fosse captada a partilhar ficheiros e a fazer downloads!
5. Se não se identificam com nenhum partido ao qual queiram dar poder, elegendo mais deputados, aproveitem para fazer desenhos e escrever frases inteligentes que os envergonhem na altura em que forem ver os votos.

Um dia quando foi comprar tabaco, Campos disse "Come chocolates, pequena! Come chocolates! Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates!"

Votem nos mesmos, queridos, votem nos mesmos. Olhem que não há mais alternativa no mundo senão os mesmos dois únicos chocolates que vocês parecem conhecer. Qual é a diferença entre a Pepsi e a Coca-cola? ;-)

x-pressiongirl

P.S. - Se querem perder tempo a chamarem-lhes nomes e a ameaçarem-nos via e-mail fiquem sabendo que é sempre uma secretária (a mesma de há 10 anos, praí) que reencaminha a mesma resposta para o vosso email. De qualquer modo, se quiserem enviar uns vírus, aqui fica: adm.eleitoral@dgai.mai.gov.pt
Se tiverem uma respiração assim meio ameaçadora também podem telefonar para a DGAI 213947100.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Já agrediste/foste agredida por uma namorada? - resultados enquete

A boa notícia é que entre as visitantes sembikini parece não haver muitas agressoras. Não se percebe se será por se tratar de um blog bem frequentado ou se as meninas que votam mentem.
75% das votantes afirma nunca ter sido agredida nem ter agredido. A maioria também não conhece nem agressoras nem agredidas, possivelmente vivem no mesmo mundo rosa de Condessa X.



Nenhuma das votantes afirmou estar a ser agredida no momento presente. Pergunto-me, no entanto, se a agressora não estaria por perto no momento da votação (as nossas votações têm a desvantagem de gravar no computador de origem as opções seleccionadas). Além disso, com os bons conselhos que damos por aqui, é mais que natiral que as agressoras não permitam ás vítimas tomar contacto com informação que as conteste.
Apenas 31% das votantes conhece vítimas e 24% afirma conhecer agressoras. Presumo que seja dificil para uma pessoa assumir-se como vítima e muito mais difícil porque por demais condenável, como agressora.
13% das votante confessa ter-se arrependido da agressão (uma das agressoras admite ter já agredido várias vezes). Dos motivos apresentdos apontam "Agredi porque fui estúpida" (13%) e apenas uma "Agredi porque ela me agrediu".
As que foram agredidas consideram que o foram por:
"Agrediu-me porque discutimos" (3 de 7 vítimas ou agressoras)
"Agrediu-me por ciúmes" (1 em 7 votantes)
"Agrediu-me porque mereci" (1 em 7)

Para a rapariga que seleccionou esta última opção: Querida, ninguém merece ser agredida, muito menos pela pessoa que afirma gostar de si. Afaste-se dessa vaca imediatamente! Você está a perder a sua juventude com uma pessoa que não a valoriza e há um mundo de amigas novaspara conhecer. Liberte-se!
Apenas 3 das 7 vítimas denunciaram. 2 delas denunciaram a situação a familiares ou amigos e 1 denunciou às autoridades. Uma salva de palmas!

x-pressiongirl

P.S. - Se alguma agressora houver por aqui, é bom que tome conhecimento que nós sabemos tudo sobre vocês e as vossas estratégias que adoro denunciar. Tenham vergonha de existir e não voltem jamais so sembikini. Não gostamos de vocês, assumidamente.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Passeios livres


Quem mora ou trabalha em cidades grandes sabe que estas estão cada vez mais pensadas à medida das viaturas e não à medida dos peões. Soube, via Spectrum, do movimento passeio livre, que através da iniciativa de aplicar autocolantes nos vidros dos carros (há um procedimento específico, que deverão seguir, caso queiram participar, basta que leiam a secção lateral do blog) visam alertar os condutores desrespeitosos para o transtorno que a falta de cívismo causa aos peões.



Para enviar fotos ou participar com outro tipo de contributos basta enviar um mail para peao.exaltado@gmail.com .
Está a decorrer uma votação no Passeio Livre para que elejam o autocolante que considerem mais apelativo e eficaz.
Sensibilizada com as inúmeras campanhas que promovem os transportes não poluentes e a utilização de viaturas por mais de uma pessoa (não vos choca aperceberem-se que a generalidade das viaturas transporta em média uma pessoa por viagem?), indico para a secção das "praias com ondas grandes" três outros espaços de interesse. O "carpool.pt", o "mobcarsharing.pt" e o "de boleia".



Condessa X

P.S. - A "falta de noção" começa naqueles que são coniventes com o que se passa nas Escolas de Condução Portuguesas, cuja prioridade é sacar o máximo de dinheiro aos alunos, procurando, em vez de formá-los, confundi-los com testes que em nada atestam a sua capacidade de bons condutores.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Já agrediste/foste físicamente agredida por uma namorada?

Só recentemente é que se começou a falar de violência entre casais do mesmo sexo. Como disse Condessa, isso talvez se prenda com o facto de os "casais" gays só recentemente começarem a ser tímidamente encarados como casais. No entanto, não sei como é que pode afirmar que não conhece casos de violência entre casais homo ou heterossexuais. Ou só conhece mesmo pessoas solteiras ou ninguém lhe assume sofrer/praticar violência (ter fama de fofoqueira, não ajuda muito).
A votação é de escolha múltipla porque contém vários blocos de questões.
Tenho conhecido casos infelizes e parece que cada vez mais se começam a assumir as pessoas que sofreram violência física (sim, porque as que a praticam parecem nunca assumi-lo), a que deixa marcas e que se consegue provar.
As formas de violência que não são invisíveis são precisamente aquelas que conduzem à violência física e como nem sempre são fáceis de detectar, a vítima tende a subvalorizá-las não as entendendo, de facto, como agressoras.
Dominar, controlar, maltratar, enganar, mentir, humilhar e insultar são apenas algumas delas.
Esqueçam o ditado "entre marido e mulher não se mete a colher" porque tão criminoso é quem aperta o gatilho como quem finge que não viu o crime.

x-pressiongirl

P.S. - Se souberem de casos denunciem-nos à polícia e incentivem @ voss@ amiga a afastar-se de imediato d@ namorad@. Se acham que nunca foram vítimas reparem nos "conselhos" de uma agressora típica no post "Como continuares a ser vítima sem que ninguém dê por isso".


quarta-feira, 13 de maio de 2009

CONTRA AS VELHAS/NOVAS INQUISIÇÕES - PELO DIREITO A UMA VIDA COM DIREITOS


15 Maio 19h Largo S. Domingos

(junto ao Teatro Nacional D. Maria II)


Um conjunto de associações, nacionais e internacionais, desenvolvem, no dia 15 de Maio, uma intervenção artística pelos direitos sexuais e reprodutivos.

Com o lema “Contras as Velhas/Novas Inquisições”, um grupo de actores e actrizes vão representar um auto de fé da inquisição, chamando a atenção para as semelhanças que as perseguições antigas têm com as condenações actuais.

Contactos:

Salomé Coelho 965840877 Manuela Góis 962426179 (umar.sede@sapo.pt)



(Imagem e texto roubados do canários libertários)

Manifesto

Pois é! Umas vezes vêm de botas cardadas... outras com pezinhos de lã.

Batem com a mão no peito, fazem rezas, conferências, juntam assinaturas, lançam folhetos, dogmas, as suas certezas, as suas velhas teorias. Chegam a pôr bombas e a assassinar quem pratica o aborto de forma legal e segura.

Porque não toleram o direito à escolha, à liberdade e à auto-determinação, são contra o direito ao aborto;

Porque negam a pluralidade de modelos familiares e só querem uma família patriarcal;

Porque vivem mal com o(s) corpo(s), o(s) prazer(es), a(s) sexualidade(s).

Porque ainda recusam o direito à contracepção, ao preservativo, promovendo única e exclusivamente a abstinência.

Porque temem que os/as jovens usufruam do direito a uma Educação Sexual sem tabus; porque têm medo da liberdade e da vontade das pessoas sobre os seus corpos, movem campanhas contra o direito à informação sobre aspectos fundamentais da vida dos seres humanos.

O Mundo mudou... Portugal também.

...mas há quem queira olhar para a vida, para as mulheres e para a sociedade, como se estas tivessem parado no tempo. Velhos inquisidores ainda cá estão – hoje com vestes mais modernas, mas com pensamentos muito antigos. Os autos de fé que faziam, e onde expunham e castigavam as mulheres que não se comportavam segundo os cânones (mulher submissa, irmã obediente, filha virtuosa), são hoje poderosas campanhas em que se procura perseguir e culpabilizar a sociedade – apresentando bafientas teorias e dogmas como sendo os “valores” de que a sociedade carece.

As cidadãs e cidadãos, assim como colectivos e associações promotoras desta iniciativa, reafirmam que continuam e continuarão a lutar pelo aprofundamento e alargamento de direitos para todos e todas; reafirmam que continuam e continuarão a lutar pelo progresso das mulheres e dos homens que chegaram a este século assumindo o caminho feito como um dado adquirido de que não abrem mão. A vida é para ser vivida com felicidade, direitos, em plenitude e não como um calvário ou um sofrimento, regimentada por velhas regras que alguns grupos nos querem impor.

Porque não queremos mais homofobia nem transfobia neste país.

Porque recusamos qualquer forma de discriminação em função da orientação sexual e das identidades de género(s).

Porque não podemos aceitar que se estigmatizem as pessoas seropositivas.

Porque nos negamos a viver numa sociedade patriarcal em que as mulheres são menorizadas.

Lutaremos sempre por Direitos Civis e por Direitos Sexuais e Reprodutivos, para todos e todas, em plena igualdade. Exprimimos a nossa solidariedade com todas as pessoas que noutros países – e em particular o Estado Espanhol e Brasil - lutam pelo direito a interromper uma gravidez por decisão da mulher.

Os “novos” autos de fé e as perseguições são sempre momentos de retrocesso e de vergonha que deviam, há muito, fazer parte de um passado enterrado.



Associações Subscritoras

Associação Olho Vivo Associação Positivo Clube Safo - Associação de Defesa dos Direitos das Lésbicas Colectivo Feminista Comuna – Teatro de Pesquisa Luís Castro (Karnart) Médicos Pela Escolha Não Te Prives – Grupo de Defesa dos Direitos Sexuais NOSOTRAS NO NOS RESIGNAMOS Panteras Rosa – Frente de Combate à LésBiGayTransFobia poly_portugal Ponto Bi Rede Portuguesa de Jovens para a Igualdade de Oportunidades entre Mulheres e Homens SERES.VIH.SIDA SOLIM – Associação para a defesa dos direitos imigrantes SOS Racismo UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta

Condessa X

sexta-feira, 20 de março de 2009

Debate no Porto sobre Identidade de género e cidadania - 3 anos depois, lembrando Gisberta

Aproveitando a descentralização anterior, divulgo uma iniciativa do GRIP (Grupo de Reflexão e Intervenção do Porto), grupo integrado na Ilga-Portugal (se ainda não foram ao centro LGBT da Ilga desde a remodelação sugiro vivamente uma visita ao espaço).



O debate decorrerá amanhã, dia 21, às 15:30h na sala piano-bar do Clube Literário do Porto, rua Nova da Alfândega, n.º 22, Porto. A entrada é livre.
Desejo a tod@s um bom fim-de-semana sem chuva! ;-)

Condessa X

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Como continuares a ser vítima sem que ninguem dê por nada

Se acreditas num grande amor que te salvará de todas as desgraças, não te tornes numa desgraçadinha. Tudo o que doravante escrever neste post é violência e onde houver verdadeiro amor não há espaço para qualquer uma destas alíneas.

A abnegação é o primeiro passo para te anulares a ti mesma, eis os seguintes:


1. - Isola-te do mundo e passa a privar apenas com a tua cara-metade;
2. - Deixa de sair com os teus amigos, sobretudo se a tua namorada não gostar muito deles;
3. - Apaga o teu hi5, gaydargirls, orkut e, se possível, muda de número de telefone;
4. - Vai viver com a tua namorada, sobretudo se ela te fizer ver que assim poderão passar mais tempo juntas;
5. - Não te importes de chegar atrasada ao teu emprego desde que a noite anterior com a tua namorada tenha sido animada. Já sabes que na ausência de boas desculpas para o patrão aquele decote resolve alguns argumentos em falta;
6. - Deixa que seja a tua namorada a decidir tudo por ti. Ela parece uma pessoa mais experiente e saberá o que é melhor para vocês duas;
7. - Se ela alguma vez parecer rude contigo é impressão tua. Tu é que és demasiado obcecada com gentilezas e devias respeitar mais o feitio das outras pessoas;
8. - Aprende a ser obediente e nada de mal te acontecerá;
9. - Se te parecer que ela te controla demais, isso também deve ser impressão tua. O mais provável é ela estar, simplesmente, preocupada com o teu bem.
10. - Se ela te proibir de fazer alguma coisa, não o encares como uma restrição, apenas como um bom conselho que deverás seguir tão cegamente como o vosso amor;
11. - Nunca contes nada sobre o teu relacionamento a quem quer que seja porque ninguém tem nada com isso. Se a pessoa for insistente limita-te a responder sempre "Está tudo bem", porque tu sabes que está sempre tudo bem;
12. - Mesmo que não estejas disposta a fazer algo que ela deseje muito, deverás sacrificar-te pois o amor é feito de sacrifícios;
13. - Sabes que se a largares nunca mais vais encontrar alguém que te ame tanto como ela;
14. - No outro dia sonhaste com aquela rapariga que frequenta o mesmo ginásio que tu. Sabes que isso é inadmissível e até pode ser considerado traição. Nunca mais sejas simpática para essa rapariga que isso põe em causa o teu relacionamento actual;
15. - Se alguma vez ela te bater foi porque mereceste. Além disso, acredita nela se te disser naquele tom meigo "Não voltará a acontecer, querida". @-}-}--

x-pressiongirl

P.S. - Dedico este post a todas as raparigas que apesar de merecerem umas palmadinhas valentes sairam, por cortesia minha, impecavelmente ilesas. ;-)

P.S. 2 - Se estão recordad@s, as imagens provêm do talento de Tattts e de Pretty cool huh, respectivamente. Aproveito para informar que ambos se encontram com bons projectos em mãos, sendo que as suas amáveis contribuições para o sembikini estão pendentes. Por este motivo o sembikini encontra-se sem desenhistas e se quiserem aventurar-se com desenhos das 12 lésbicas poderão enviar a vossa visão das nossas 12 amigas para sembikini@gmail.com . Clicando em cada um deles poderão apreciar alguns dos seus novos trabalhos. Aos dois desejo todo o sucesso que merecem. \_/*\_/ Cheers darlings ;-)

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Campanha contra a violência doméstica entre casais do mesmo sexo

A APAV lançou há cerca de um mês, com a colaboração da ILGA, a campanha "Grite pelos seus direitos" dirigida ao público homossexual (mais uma vez não se fala de trans). No último número da Com'Out também foram dedicadas umas páginas a este assunto.
Sendo verdade que só recentemente os casais homossexuais passaram a ser "tidos" como casais (ainda que sem o casamento. Tenham calma que o tio Sócrates já andou a apanhar umas ideias e mais próximo das eleições, ele trata disso) percebe-se o porquê de só agora surgir esta campanha. É importante notar que o tema "violência doméstica" está ainda pouco explorado.



Não conheço casos de violência doméstica (quer entre heteros que entre homossexuais) e isso talvez se prenda com o facto de não conhecer muitos casais, aliás, conheço cada vez menos casais (ai tão lindas, todas solteiríssimas). O que não quer dizer que os solteiros também não possam ser violentados pelos namorados que vão tendo.
Não é disso que trata a campanha, penso que ela se dirige a pessoas envolvidas emocional e sexualmente e que partilhem casa (casal).
Vale a pena a visita ao site da campanha. Se já deve ser difícil para uma pessoa assumir-se como vítima de violência, imagino que seja duplamente difícil assumir-se simultaneamente como vitíma de violência doméstica e homossexual. A APAV disponibiliza o número 707200077 que além de ser pago, funciona apenas nos dias úteis das 10h às 13h e das 14h às 17h. Em alternativa têm, naturalmente, o 112 para a polícia.
E porque a violência não é só aquela que é visível, vou deixar aqui alguns exemplos de verbos violentos: coagir, pressionar, impedir, ameaçar, manipular, humilhar, enganar, insultar, aproveitar-se de, desrespeitar, rebaixar... Esqueci-me de muitos outros não foi?

Condessa X

domingo, 21 de dezembro de 2008

Are you ready, boots?

Há cerca de uma semana Muntadhar al-Zaidi, jornalista iraquiano, manifestou publicamente o seu profundo desprezo por Bush. Muntadhar não fez nem metade do que cada um dos iraquianos (ou até muitos de nós) gostariam de fazer a esse miserável. Encontra-se preso e, segundo alguns relatos, tem sido torturado. O mundo está solidário com este corajoso homem mas ele precisará de muito mais do que de solidariedade. Por este motivo vários colectivos e associações apelam para que os portugueses se juntem aos protestos.
Importa mostrar que somos muitos os que gostariam de ter tido a oportunidade de, ao menos, tentar acertar na cara de Bush.
Terça-feira, dia 23 de Dezembro, às 18h levemos simbolicamente um sapato a ser deixado na Embaixada dos EUA, na Av. das Forças Armadas (metro Jardim Zoológico). Mais informações aqui.



Se quiserem treinar um pouco a vossa pontaria, podem testá-la aqui.



Condessa X

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Violência no namoro

Pedro domina Joana. Isabel controla Luís. Zé maltrata Ana. Ricardo humilha Filipe. Rita engana Cláudia. x-pression insulta condessa.



Uma recente campanha da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, com o apoio de órgãos nacionais e internacionais pretende chamar a atenção para as várias formas que a violência pode assumir.
Quando se ouve falar em violência somos levados, qual cãezinhos de Pavlov, a pensar apenas em violência física, que é aquela que deixa marcas e que se consegue provar. As formas de violência que são invisíveis são precisamente aquelas que conduzem à violência física. Como nem sempre são fáceis de detectar, a vítima tende a subvalorizá-las não as entendendo, de facto, como agressoras.
Dominar, controlar, maltratar, enganar, mentir, humilhar e insultar são apenas algumas delas.
Esqueçam o ditado "entre marido e mulher não se mete a colher" porque tão criminoso é quem aperta o gatilho como quem finge que não viu o crime.
O site em questão tem breves notas exlicativas ao longo dos 3 testes (serei vítima? serei cúmplice? serei agressor?).

800 202 1448 é o número do serviço de informação e denúncia.

Condessa X

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Eu não sou cúmplice

Trata-se da mais recente campanha lançada pela UMAR, cujo Observatório aponta para 43 o número de mulheres que morreram este ano em Portugal, vítimas de violência doméstica.
No blog da campanha "Eu não sou cúmplice" encontra-se a petição destinada a todos os homens que repudiem toda e qualquer forma de violência e opressão contra as mulheres (parte-se do princípio que também sejam contra a violência entre homens).
Lê-se na petição: "(...)Os homens abaixo-assinados repudiam toda e qualquer violência contra as mulheres, comprometendo-se na consciencialização e intervenção social da sociedade para a igualdade de género e promoção de uma cultura de não violência(...)".



Condessa X

P.S. - Meninas que não tenham pilita nem pêlos no peito abstenham-se de assinar a petição, está bem? Vale mais que a façam chegar aos vossos amigos homens!

domingo, 19 de outubro de 2008

I Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos

Assinalou-se ontem o dia Europeu (?Internacional?) de Combate ao Tráfico Humano.
Já aqui tinha falado sobre este crime e sobre o I Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos (2007-2010).
Manuel Albano, coordenador deste Plano, disse que "Esta campanha pretende dar visibilidade ao fenómeno, a que Portugal não está alheio, e tem um carácter de responsabilização social e colectiva".
As denúncias devem ser feitas para a linha SOS Imigrante através do número 808 257 257 (Linha SOS Imigrante? Então não tinham dito que iriam criar uma linha GRATUITA que funcionasse a nível internacional?).
Aqui podem ler um artigo muito interessante sobre Tráfico Humano.



Para já a campanha para a sensibilização e apelo à denúncia será feita através da comunicação social, sendo que serão ainda distribuídos "200 mil folhetos em oito línguas diferentes, em centros de saúde, balcões da segurança social e associações de imigrantes, para que possam chegar às vítimas de tráfico."
Foi criado o Observatório de Tráfico de Seres Humanos (que se prevê em funcionamento até final deste ano) e um Centro de Acolhimento e Protecção às Vítimas de Tráfico. Manuel Albano disse também que "das 63 medidas do I Plano, 43 já se encontram executadas ou em fase de execução."
Segundo noticiou o Público, "Em 2007, Portugal produziu alterações ao Código Penal alargando a definição de tráfico e aumentando as penas para os traficantes. Segundo o novo Código, é punido com pena de prisão de três a 12 anos quem oferecer, entregar, aliciar, aceitar, transportar, alojar ou acolher pessoas para fins de exploração sexual, do trabalho ou extracção de órgãos."
De 3 a 12 anos! Percebem por que é que se diz que os traficantes têm bons amigos? Alguém me sabe dizer o que aconteceu aos senhores da Passerelle, acusados de 1200 crimes?



No âmbito do projecto DAPHNE (programa de combate à violência) foi elaborado um guia dirigido a profissionais e pessoas que se queiram envolver na luta contra o tráfico. É um guia muito interessante para a prestação de apoio às vítimas e está traduzido em português aqui.
O Feminista Actual - O Mal da Indiferença tem sido dos blogs portugueses que mais informação têm produzido sobre este tema. A consulta vale a pena!

Gostaria de relembrar algumas alíneas contidas neste I Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos:

- promoção de estudos no âmbito do tráfico de seres humanos (creio que o único estudo desenvolvido em Portugal depois disto foi um encabeçado por Boaventura de Sousa Santos, cujas conclusões ainda não tive a oportunidade de ler);
- encaminhar fundos para a investigação científica de forma a promover conhecimento, actualizado e diversificado sobre o tráfico de seres (vai ser bonito de se ver o governo a encaminhar fundos para a investigação científica na área das humanidades);
- estabelecimento de protocolos com empresas do sector da Internet (servidores de messenger e chats) para que criem “caixas informativas” nos acesos aos seus serviços (mais útil do que levarmos com publicidade comercial);
- apoiar uma longa-metragem que se centre nesta problemática (câmeras na mão! Ainda têm 2 anos para criar o filme!);
- apoiar no âmbito da disciplina de educação sexual o desenvolvimento de programas que promovam a tolerância zero contra a violência e discriminação de género (existe mesmo uma disciplina de educação sexual?);
- criação de uma linha (a “Declaração do Porto” prevê que seja uma linha internacional comum a todos os países, a linha deveria ser gratuíta);
- incrementar o número de fiscalizações a actividades laborais mais susceptíveis de albergarem focos de criminalidade organizada relacionada com o tráfico de seres humanos (a ASAE serve para isto mesmo);
- canalização de parte dos bens e activos apreendidos no âmbito de investigações/condenações por tráfico de seres humanos para programas de apoio a vítimas de tráfico (a outra parte é aquela que nunca ninguém sabe ao certo para onde vai).

A MTV Exit disponibiliza no seu site alguns conselhos importantes para quem pretende viajar, estudar ou trabalhar fora do país:

1. Contacta a embaixada do país para onde queres ir e informa-te sobre os vistos necessários para viver, trabalhar ou estudar nesse país. Se obtiveste estas informações de uma fonte oficial, então ninguém te pode dizer o contrário;

2. Antes de viajar, tira uma fotocópia do teu passaporte e dos documentos de viagem, e deixa-os com alguém da tua total confiança;

3. Deixa os teus números de telefone e moradas de onde podes ser contactado com um familiar ou amigo;

4. Leva contigo a morada e número de telefone da tua embaixada ou consulado no país do teu destino, para o caso de precisares deles;

5. Não dês o teu passaporte a ninguém excepto aos funcionários dos serviços de fronteiras ou à polícia;

6. Se tiveres dúvidas, antes de partir contacta uma organização de anti-tráfico humano (consulta a nossa secção AJUDA para obteres mais informações).

Condessa X

P.S. - Enquanto não é criada uma linha Gratuíta e Universal todas as situações devem ser denunciadas para o SOS Imigrante através do número 808 257 257.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fac(h)adas - por Tattts

Há conversas produtivas que resultam sempre em mais conversas produtivas. É por isso que agente nunca mais se cala e Tattts mostra que além de desenhista tem outros dotes.
Todo o texto que se segue é da sua responsabilidade.

No outro dia em conversa com a x-pressiongirl acerca dos vários tipos de lésbicas, começámos a divagar se não faltariam alguns outros estereótipos por expor, como o caso da lésbica parola que se diverte em por fotos que não são suas em sites de encontros, ou então aquelas lésbicas autenticas machonas (e não só) que aparecem com amigas do nada, que ninguém conhece e insistem em não assumir a sua homossexualidade até aos próprios amigos, pensando que enganam todos com a nova “amiguinha”, e foi neste deambular de conversa que surge outro tipo de lésbica, a lésbica heterossexual, aquela que cria um casamento de fachada, e por sugestão da x-pressiongirl, aceitei escrever um post acerca disso, até porque tenho conhecimentos de varias situações assim e vejo o transtorno que isso causa a curto e a longo prazo.
Na minha opinião, pessoas homossexuais que mantêm casamentos heterossexuais deviam ser todas levadas a uma salinha escura e serem esbofeteadas até acordarem para a realidade. Se estivéssemos a falar de há cinquenta anos atrás ou até mesmo há trinta anos, faria um esforço para tentar compreender e até mesmo tentar aceitar o porquê de uma pessoa que gosta de mulheres casar-se com um homem, pois back in the day a sociedade impunha-nos ainda muita mais pressão do que nos dias de hoje. Mesmo a vários níveis, a mulher casava no início da casa dos vinte e impensável um homem com um quarto de século não estar a trabalhar para sustentar uma casa com filhos; muito menos aceitável então era uma mulher pegar nas coisinhas e ir viver feliz com outra mulher sem perder a honra e ser rejeitada tanto pela sociedade como pela sua família, então para se evitar o sofrimento de tanta gente, havia malta que preferia sacrificar a própria felicidade… mas isto há 50 anos atrás, minha gente!!!
A pressão ainda hoje existe, mas não se pode comparar, e cada um tem que se impor por aquilo em que acredita, e pessoas homossexuais que insistem em viver dormentes para não fazer os outros desconfortáveis é do mais hipócrita, egoísta e horrível que alguém pode fazer. Valerá mesmo a pena sacrificar a nossa felicidade e a nossa sexualidade só para não magoar o papá ou a mamã que imaginaram a menina vestida de branco pronta a ser entregue a um homem que a mereça? Os pais projectam sempre nos filhos coisas que de eles se possam orgulhar; vai ser médica, ou advogada! Vai casar-se e encher-me a casa de netos! Então e se quiser ser artista? Se quiser enveredar por uma vida que não aquela que os pais ou mesmo a sociedade pensou para ela? Em nada difere o facto de se ser gay, não vai encher a casinha da avó com crianças, mas não é por isso que não possa deixar de ser uma pessoa excelente. Vale mesmo a pena
viver uma vida dupla, em que o dia-a-dia é feito de mentiras? Esse tipo de pessoas nem tem a noção no mal que estão a fazer à sua cara-metade, que sem saber vive na ilusão dum casamento normal. Mas acho que já é um ponto bem assente que, tudo o se faz mais cedo ou mais tarde vem-se a saber, e sim, a cara metade vai com certeza descobrir! E aí minhas caras podem sentir-se orgulhosas por arrasarem com outro ser humano!
Acham que isto justifica a capa que alguns ainda hoje insistem em pôr? Não tiveram a coragem para serem livres e tomar “o touro pelos cornos”, então preferem sacrificar outra pessoa para manter a fachada que os liberta dos problemas, um verdadeiro escudo humano!!! Daí eu sentir até uma certa repulsa por pessoas que preferiram enveredar por esse “way of life”. Já para não falar na vida sexual! Como é que uma mulher que quer é outras mulheres, quer a sensualidade e o toque de outra mulher, consegue ser penetrada por um homem?! Como é que uma mulher que gosta dos contornos dum corpo feminino se sujeita à rudeza dum corpo masculino?
Um exemplo que me chocou recentemente:
No outro dia em conversa com um amigo, soube que o X namorava há uma serie de anos com o Y, casado e com dois filhos (UAU), e para melhorar a coisa X até conhece a esposa do Y!!! Há coisas fantásticas não há? A esposa acredita que os dois são bons amigos, ela até gosta do X e ele frequenta a casa e conhece os putos… Digam-me como é que ela se sentirá quando descobrir que o amigo X afinal até anda a comer no mesmo sítio que ela (se é que ainda coma alguma coisa de jeito) e que até trata o seu marido por namorado há não sei quantos anos? Digam-me como é que essa mulher se vai sentir com ela própria e com a vida? Uma mentira! Viveu uma ilusão, uma farsa! Tudo em prol duma fachada para poupar gente? Tudo em prol de gente sem colhões, sem capacidade para enfrentarem o mundo para serem felizes?! Já para não falar do X, esse então devia ser morto a tiro por ser tão fraco de personalidade e com tão pouca ética para se deixar enrolar com um homem casado e pai de filhos, como se não houvesse por ai gays suficientes dispostos a abrir a pernoca. Alem do mais, nunca chega a ter uma relação decente… pois a noite não lhes pertence, a constante presença/ausência, como tantas outras coisas que fazem parte e são necessárias ao desenvolvimento saudável numa relação.
Por isso minhas caras sejam íntegras a vocês mesmas; tenham o arcaboiço para serem felizes! Não magoem deliberadamente o próximo, pois não há nada pior que males do coração e vidas de faz de conta.
Para aquel@s que quiserem ver um outro ponto de vista, também interessante, sobre este tema, fica aqui o link.

Um bem-haja,
Cheers!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

As jeitosas

Hoje é dia 11 de Setembro e para assinalar a triste data também eu venho falar de atentados (se quiserem reflectir um bocado sobre o 11 de Setembro, cliquem nos links; se preferirem continuar a acreditar nas mentiras que a imprensa e os políticos controlados pelos donos do mundo nos vendem, ignorem os links e continuem a ler como se eu não tivesse dito nada) .
Penso que no Porto chamar-lhes-iam mais facilmente de mal-jeitosas. A x-pression tentou convencer-me a fazer um perfil mas assim que me deparei com a página principal, achei que sairia mais no lucro fazendo um perfil no gaydar dos rapazes.
Descobri que as raparigas contratadas para represntar as lésbicas na homepage do gaydargirls foram despedidas, por isso, de recordação, deixo aqui esta foto que roubei ao senhor nuba, que já havia reflectido sobre isto.



O gaydargirls colocou recentemente um anúncio para novas modelos a figurar nas imagens da página de entrada. Os requisitos eram muito difíceis de preencher pelas portuguesas que, regra geral, até têm algum gosto. Vale a pena dar um lucky look no anúncio que a administração do Gaydargirls colocou nos subúrbios londrinos e eu tomei a liberdade de traduzir:

"O gaydargirls procura raparigas jovens (preferencialmente virgens, mas, se não poder ser, ao menos que tenham boas mamas), com aspecto de quem leva porrada dos pais diariamente, com ar de que não toma banho regularmente e, mais importante de tudo, que não saiba sorrir.
Tens um ar desgraçadinho e infeliz, assim tipo Floribela?
Tens um corte de cabelo daqueles que não lembra a ninguém?
És gorda que nem uma lontra?
Tens um ar antipático?
Achas que perto de ti o Mike Tyson sentir-se-ia efeminado?
És a nossa rapariga! Vem tirar umas fotos e figurar na nossa homepage!"


Soube, junto de fonte fidedigna que o gaydargirls teve grande dificuldade em escolher as concorrentes, mas elas foram escolhidas a dedo (não sei qual deles, juro, se o indicador se o do meio).
Comparem as fotos do gaydargirls com as fotos do gaydarboys e chorem um bocadinho que é para aliviar os nervos.



Têm todas um ar desgraçadinho e infeliz q.b. Não há uma única foto em que alguma das pobres raparigas esteja com um ar mais feliz ou meio sorridente. É o tal drama de que vos falei. Até as administradoras do gaydargirls têm um pézinho a escorregar para o chinelo dramático. As miúdas têm todas um ar de quem acaba de sair da prisão e isso não é bom para uma rapariga que pondere fazer o seu registo e se depare com aquelas imagens. Vai deixar de ser lésbica nesse exacto momento, só de pensar que lá dentro vai encontrar raparigas iguais àquelas. Há quem jure que mesmo as raparigas portuguesas com as quais deus não foi tão generoso conseguem superar de longe qualquer uma das “modelos” gaydargirls (produto britânico da pior qualidade). Uma das minhas amigas descreveu melhor ainda este fenómeno: “Bem brega!”. :-)
Tenho um precioso informante que andou a partilhar umas coisinhas bem interessantes sobre o gaydar dos rapazes por isso um destes dias venho trazer informações sobre o que andei a descobrir no G World.

Trureloo,

Condessa X

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Dias de cinema

Hoje às 23h, a festa começa no Bairro Alto, na rua da Atalaia nº97. O bar Chueca irá receber a apresentação oficial da 12ª edição do festival de cinema queer de Lisboa (outrora denominado Festival de cinema gay e lésbico de Lisboa).
Agendas à mão: o festival decorre de 19 a 27 de Setembro.
A organização apela à participação de voluntários para o evento por isso, se vos parecer bem, este e-mail ser-vos-á útil: queerlisboa@gmail.com .
Haverá três secções competitivas: Prémios de Longa-Metragem (melhor filme, melhor actor e melhor actriz), Documentário e Curta-Metragem (prémio do público). Roam-se de inveja se se esqueceram de submeter os vossos filmes. O sembikini já tinha avisado para o fazerem atempadamente.
Haverá debates e festas imperdíveis. As festas irão decorrer em espaços tão diversos como o Chueca Bar, discoteca Maria Lisboa, Teatro Ibérico, Max Bar e Purex.
É pena o Grémio Lisbonense não estar mais no roteiro das festas do queer festival. A festa de encerramento do ano passado teve muito boa música.
Como sabem o edifício do Grémio é cobiçado pelos vampiros das imobiliárias e quem ousa contestar é premiado com estes famosos quebra-cabeças policiais.


Toda a informação sobre o festival aqui.

Condessa X

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O divórcio ou Até que a morte nos separe

Li, na imprensa e um pouco por toda a blogosfera, que o Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR contabilizou só este ano, contas feitas até Agosto, 31 mulheres assassinadas pelo cônjuge/namorado ou ex-cônjuge/ex-namorado.
Além disto, segundo dados do DN, foram contabilizadas 35 tentativas de homicídio relacionadas com violência doméstica.
Os números parecem pequenos porque Portugal é um país pequeno. Geográfica, mental e políticamente pequeno. O nosso Pequeno presidente vetou, na passada semana, o diploma que pretendia alterar o Regime Jurídico do Divórcio (recentemente reciclado pelo PS a partir da ideia original do Bloco de Esquerda). Cavaco afirma ter vetado o diploma por este "conduzir a uma indesejável desprotecção do cônjuge ou ex-cônjuge que se encontre numa situação mais fraca - geralmente a mulher - bem como, indirectmente, os filhos menores". E disse mais ainda, "numa situação de violência doméstica, em que o marido agride a mulher ao longo dos anos - uma realidade que não é rara em Portugal -, é possível aquele obter o divórcio independentemente da vontade da vítima de maus tratos".
Tentando simplificar: Em Portugal há, legalmente, dois tipos de divórcio, aquele que é obtido por mútuo acordo e aquele que é litigioso (normalmente o que traz mais dinheiro aos tribunais). Ou seja, ou o acordo é mútuo ou terão de fazer a vida negra um ao outro até que algum desapareça.



Não existe em Portugal, como existe em Espanha ou na Suécia, o divórcio unilateral, em que um dos cônjuges decida romper o vínculo sem ter de alegar nada contra o outro. O que o projecto de lei original (do BE) defendia era que se deixasse de ter de averiguar culpas, ajudar a apaziguar todo um processo que poderia ser menos penoso para todas as partes. Lê-se no arrastão: "A actual lei aplica ao casamento a lógica de qualquer contrato, mas acrescenta-lhe obrigações morais que nada têm a ver com o património (como o da fidelidade). Ou seja, aplica a sentimentos a lógica das obrigações contratuais. Das duas uma: ou ao casamento exige-se apenas obrigações patrimoniais e financeiras ou se reconhece a sua natureza excepcional entre os contratos legais. E se assim é, aceita-se que o fim do amor, do afecto ou até do respeito são razões mais do que suficientes para pôr fim ao casamento sem que nenhuma das partes tenha de ser considerada culpada. Ou seja, aceita-se o que todos nós sabemos: que nenhum casamento pode sobreviver contra a vontade de uma das partes".
Não me confunde nada que haja divórcios decididos unilateralmente, o que me confunde é que se possa conceber que existam casamentos baseados numa vontade unilateral. Alguém que se lembre disto, por favor:



Quanto às vítimas de violência doméstica, urge entender que antes de serem vítimas de violência doméstica são vítimas de muitas outras coisas: vítimas de um casamento falhado, vítimas de um namorado obsessivo, vítimas de uma família pouco hospitaleira, vítimas de pobreza, vítimas de uma sociedade desigual e individualista, vítimas de leis que não as protegem. É sempre bom relembrar que, há cerca de três meses, Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados dissera não fazer sentido a violência doméstica ser considerada como crime público porque "Este modelo inviabiliza a desistência do processo ainda que a vítima assim o pretenda". Lá está a preocupação com a vítima... a preocupação em ajudar a vítima, não a proteger-se mas, a desistir de uma queixa.
Foi esta a preocupação que Cavaco transmitiu na passada semana ao mostrar-se tão solidariamente empenhado em manter casamentos unilaterais, apenas para se proteger o lado mais desprotegido, segundo ele, as mulheres.
Sentimo-nos mais protegidas não nos sentimos?

Condessa X