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quinta-feira, 10 de março de 2011

De quem é a rua?


A meu ver, peca apenas pelo nome do movimento. Deveria chamar-se "Gerações à rasca". Se inicialmente a ideia era juntar jovens desemprecários num protesto apartidário, laico e pacífico, a verdade é que muitas pessoas diferentes virão a juntar-se neste protesto que será um tubo de ensaio para outros movimentos que, espero, sejam cada vez mais produtivos.
Os meus pais também têm um salário precário, os meus avós uma reforma precária e os filhos que ainda não tenho um dia perguntar-me-ão: "Maman, onde estavas tu, quando tudo isto estava a acontecer?"
Ainda que eu não fosse uma precária com alguns amigos e familiares, também precários, por solidariedade, eu teria de estar na manifestação. E falta muita solidariedade entre as mais diversas classes de trabalhadores e desemprecários. Uma greve de maquinistas, uma greve de polícias, uma greve de professores, uma manifestação de... Não se dividam, unam-se! E é isso que esta manifestação de "Gerações à rasca" propõe e é disso que a classe de bon-vivants comentadores e comilões da desgraça dos outros tem medo. Da nossa união.



Atente-se na ginástica de argumentos que a generalidade dos comentadores tem feito a este propósito:

Pacheco Pereira: "A precariedade dos jovens é culpa dos seus pais que vivem à larga, instalados na opulência de um contrato de trabalho."

Zé Manuel Fernandes, Helena Matos: "Esta geração é lixada pelos garantismos de que a geração dos pais gozou. Todos repetem “Não vão para a rua protestar. Protestem em casa, à mesa do jantar porque o salário dos vossos pais é que criou o desemprego dos filhos."

Isabel Stillwell: “Se os estudantes são escravos, são parvos, de facto. Parvos porque gastam o dinheiro dos pais e dos nossos impostos para irem estudar e não aprendem nada. (…) Os escravos não organizavam protestos nem iam para a rua, graças a deus."



Não será uma manifestação pela queda de governos ou governantes, como muitos comentadores políticos andam, propositadamente, a tentar fazer passar, mas sim uma concentração de pessoas que estão cansadas da canalhice desta gente corrupta que, tendo a faca e o queijo na mão, nos vão cortando às fatias.
Os Pachecos Pereiras, Isabeis Stillwells e Sousas Tavares odeiam-nos, naturalmente. Representamos a massa de gente que, embrutecida, lhes estenderia tapetes, não fosse a nossa sensatez. Esta gente só tem o poder que lhes atribuirmos. Esta gente odeia todos aqueles que por uma questão de sensatez e dignidade não se verga ao poder vigente, aqueles que dão prioridade à sua consciência, abdicando muitas vezes da sua carreira confortável como comentadores de sofá. Odeiam-nos, porque fizeram a escolha inversa e preferem passar a vergonha de defender o indefensável do que a vergonha de admitir que fizeram uma escolha pouco digna em prol de uma carreira, de um conforto, ou de um status. Odeia-nos, esta gente que vive com esse compromisso de ser cúmplice com a canalhice, em troca do seu bem-estar.



Só ainda não percebi muito bem o que pretende ganhar a Fenprof ao convocar uma manifestação de professores para o mesmo dia e à mesma hora, no Campo Pequeno, fazendo uma arruada até à 5 de Outubro. Partilho da opinião de Renato Teixeira, do 5dias, acho que a maioria dos professores vai mesmo descer a Av. da Liberdade.


"First they came for the communists, and I didn't speak out because I wasn't a communist. Then they came for the trade unionists, and I didn't speak out because I wasn't a trade unionist. Then they came for the Jews, and I didn't speak out because I wasn't a Jew.
Then they came for me and there was no one left to speak out for me."
Martin Niemoller


x-pressiongirl

P.S. - Sousa Tavares, se me viesses pedir dinheiro eu também não to emprestaria.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Manifestoon

Encontrei, via arrastão, este interessante cartoon que conta, em cerca de 8 minutos, o Manifesto Comunista, de Marx e Engels.




Have fun!

Condessa X

terça-feira, 26 de maio de 2009

Passeios livres


Quem mora ou trabalha em cidades grandes sabe que estas estão cada vez mais pensadas à medida das viaturas e não à medida dos peões. Soube, via Spectrum, do movimento passeio livre, que através da iniciativa de aplicar autocolantes nos vidros dos carros (há um procedimento específico, que deverão seguir, caso queiram participar, basta que leiam a secção lateral do blog) visam alertar os condutores desrespeitosos para o transtorno que a falta de cívismo causa aos peões.



Para enviar fotos ou participar com outro tipo de contributos basta enviar um mail para peao.exaltado@gmail.com .
Está a decorrer uma votação no Passeio Livre para que elejam o autocolante que considerem mais apelativo e eficaz.
Sensibilizada com as inúmeras campanhas que promovem os transportes não poluentes e a utilização de viaturas por mais de uma pessoa (não vos choca aperceberem-se que a generalidade das viaturas transporta em média uma pessoa por viagem?), indico para a secção das "praias com ondas grandes" três outros espaços de interesse. O "carpool.pt", o "mobcarsharing.pt" e o "de boleia".



Condessa X

P.S. - A "falta de noção" começa naqueles que são coniventes com o que se passa nas Escolas de Condução Portuguesas, cuja prioridade é sacar o máximo de dinheiro aos alunos, procurando, em vez de formá-los, confundi-los com testes que em nada atestam a sua capacidade de bons condutores.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Como continuares a ser vítima sem que ninguem dê por nada

Se acreditas num grande amor que te salvará de todas as desgraças, não te tornes numa desgraçadinha. Tudo o que doravante escrever neste post é violência e onde houver verdadeiro amor não há espaço para qualquer uma destas alíneas.

A abnegação é o primeiro passo para te anulares a ti mesma, eis os seguintes:


1. - Isola-te do mundo e passa a privar apenas com a tua cara-metade;
2. - Deixa de sair com os teus amigos, sobretudo se a tua namorada não gostar muito deles;
3. - Apaga o teu hi5, gaydargirls, orkut e, se possível, muda de número de telefone;
4. - Vai viver com a tua namorada, sobretudo se ela te fizer ver que assim poderão passar mais tempo juntas;
5. - Não te importes de chegar atrasada ao teu emprego desde que a noite anterior com a tua namorada tenha sido animada. Já sabes que na ausência de boas desculpas para o patrão aquele decote resolve alguns argumentos em falta;
6. - Deixa que seja a tua namorada a decidir tudo por ti. Ela parece uma pessoa mais experiente e saberá o que é melhor para vocês duas;
7. - Se ela alguma vez parecer rude contigo é impressão tua. Tu é que és demasiado obcecada com gentilezas e devias respeitar mais o feitio das outras pessoas;
8. - Aprende a ser obediente e nada de mal te acontecerá;
9. - Se te parecer que ela te controla demais, isso também deve ser impressão tua. O mais provável é ela estar, simplesmente, preocupada com o teu bem.
10. - Se ela te proibir de fazer alguma coisa, não o encares como uma restrição, apenas como um bom conselho que deverás seguir tão cegamente como o vosso amor;
11. - Nunca contes nada sobre o teu relacionamento a quem quer que seja porque ninguém tem nada com isso. Se a pessoa for insistente limita-te a responder sempre "Está tudo bem", porque tu sabes que está sempre tudo bem;
12. - Mesmo que não estejas disposta a fazer algo que ela deseje muito, deverás sacrificar-te pois o amor é feito de sacrifícios;
13. - Sabes que se a largares nunca mais vais encontrar alguém que te ame tanto como ela;
14. - No outro dia sonhaste com aquela rapariga que frequenta o mesmo ginásio que tu. Sabes que isso é inadmissível e até pode ser considerado traição. Nunca mais sejas simpática para essa rapariga que isso põe em causa o teu relacionamento actual;
15. - Se alguma vez ela te bater foi porque mereceste. Além disso, acredita nela se te disser naquele tom meigo "Não voltará a acontecer, querida". @-}-}--

x-pressiongirl

P.S. - Dedico este post a todas as raparigas que apesar de merecerem umas palmadinhas valentes sairam, por cortesia minha, impecavelmente ilesas. ;-)

P.S. 2 - Se estão recordad@s, as imagens provêm do talento de Tattts e de Pretty cool huh, respectivamente. Aproveito para informar que ambos se encontram com bons projectos em mãos, sendo que as suas amáveis contribuições para o sembikini estão pendentes. Por este motivo o sembikini encontra-se sem desenhistas e se quiserem aventurar-se com desenhos das 12 lésbicas poderão enviar a vossa visão das nossas 12 amigas para sembikini@gmail.com . Clicando em cada um deles poderão apreciar alguns dos seus novos trabalhos. Aos dois desejo todo o sucesso que merecem. \_/*\_/ Cheers darlings ;-)

domingo, 19 de outubro de 2008

I Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos

Assinalou-se ontem o dia Europeu (?Internacional?) de Combate ao Tráfico Humano.
Já aqui tinha falado sobre este crime e sobre o I Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos (2007-2010).
Manuel Albano, coordenador deste Plano, disse que "Esta campanha pretende dar visibilidade ao fenómeno, a que Portugal não está alheio, e tem um carácter de responsabilização social e colectiva".
As denúncias devem ser feitas para a linha SOS Imigrante através do número 808 257 257 (Linha SOS Imigrante? Então não tinham dito que iriam criar uma linha GRATUITA que funcionasse a nível internacional?).
Aqui podem ler um artigo muito interessante sobre Tráfico Humano.



Para já a campanha para a sensibilização e apelo à denúncia será feita através da comunicação social, sendo que serão ainda distribuídos "200 mil folhetos em oito línguas diferentes, em centros de saúde, balcões da segurança social e associações de imigrantes, para que possam chegar às vítimas de tráfico."
Foi criado o Observatório de Tráfico de Seres Humanos (que se prevê em funcionamento até final deste ano) e um Centro de Acolhimento e Protecção às Vítimas de Tráfico. Manuel Albano disse também que "das 63 medidas do I Plano, 43 já se encontram executadas ou em fase de execução."
Segundo noticiou o Público, "Em 2007, Portugal produziu alterações ao Código Penal alargando a definição de tráfico e aumentando as penas para os traficantes. Segundo o novo Código, é punido com pena de prisão de três a 12 anos quem oferecer, entregar, aliciar, aceitar, transportar, alojar ou acolher pessoas para fins de exploração sexual, do trabalho ou extracção de órgãos."
De 3 a 12 anos! Percebem por que é que se diz que os traficantes têm bons amigos? Alguém me sabe dizer o que aconteceu aos senhores da Passerelle, acusados de 1200 crimes?



No âmbito do projecto DAPHNE (programa de combate à violência) foi elaborado um guia dirigido a profissionais e pessoas que se queiram envolver na luta contra o tráfico. É um guia muito interessante para a prestação de apoio às vítimas e está traduzido em português aqui.
O Feminista Actual - O Mal da Indiferença tem sido dos blogs portugueses que mais informação têm produzido sobre este tema. A consulta vale a pena!

Gostaria de relembrar algumas alíneas contidas neste I Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos:

- promoção de estudos no âmbito do tráfico de seres humanos (creio que o único estudo desenvolvido em Portugal depois disto foi um encabeçado por Boaventura de Sousa Santos, cujas conclusões ainda não tive a oportunidade de ler);
- encaminhar fundos para a investigação científica de forma a promover conhecimento, actualizado e diversificado sobre o tráfico de seres (vai ser bonito de se ver o governo a encaminhar fundos para a investigação científica na área das humanidades);
- estabelecimento de protocolos com empresas do sector da Internet (servidores de messenger e chats) para que criem “caixas informativas” nos acesos aos seus serviços (mais útil do que levarmos com publicidade comercial);
- apoiar uma longa-metragem que se centre nesta problemática (câmeras na mão! Ainda têm 2 anos para criar o filme!);
- apoiar no âmbito da disciplina de educação sexual o desenvolvimento de programas que promovam a tolerância zero contra a violência e discriminação de género (existe mesmo uma disciplina de educação sexual?);
- criação de uma linha (a “Declaração do Porto” prevê que seja uma linha internacional comum a todos os países, a linha deveria ser gratuíta);
- incrementar o número de fiscalizações a actividades laborais mais susceptíveis de albergarem focos de criminalidade organizada relacionada com o tráfico de seres humanos (a ASAE serve para isto mesmo);
- canalização de parte dos bens e activos apreendidos no âmbito de investigações/condenações por tráfico de seres humanos para programas de apoio a vítimas de tráfico (a outra parte é aquela que nunca ninguém sabe ao certo para onde vai).

A MTV Exit disponibiliza no seu site alguns conselhos importantes para quem pretende viajar, estudar ou trabalhar fora do país:

1. Contacta a embaixada do país para onde queres ir e informa-te sobre os vistos necessários para viver, trabalhar ou estudar nesse país. Se obtiveste estas informações de uma fonte oficial, então ninguém te pode dizer o contrário;

2. Antes de viajar, tira uma fotocópia do teu passaporte e dos documentos de viagem, e deixa-os com alguém da tua total confiança;

3. Deixa os teus números de telefone e moradas de onde podes ser contactado com um familiar ou amigo;

4. Leva contigo a morada e número de telefone da tua embaixada ou consulado no país do teu destino, para o caso de precisares deles;

5. Não dês o teu passaporte a ninguém excepto aos funcionários dos serviços de fronteiras ou à polícia;

6. Se tiveres dúvidas, antes de partir contacta uma organização de anti-tráfico humano (consulta a nossa secção AJUDA para obteres mais informações).

Condessa X

P.S. - Enquanto não é criada uma linha Gratuíta e Universal todas as situações devem ser denunciadas para o SOS Imigrante através do número 808 257 257.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fac(h)adas - por Tattts

Há conversas produtivas que resultam sempre em mais conversas produtivas. É por isso que agente nunca mais se cala e Tattts mostra que além de desenhista tem outros dotes.
Todo o texto que se segue é da sua responsabilidade.

No outro dia em conversa com a x-pressiongirl acerca dos vários tipos de lésbicas, começámos a divagar se não faltariam alguns outros estereótipos por expor, como o caso da lésbica parola que se diverte em por fotos que não são suas em sites de encontros, ou então aquelas lésbicas autenticas machonas (e não só) que aparecem com amigas do nada, que ninguém conhece e insistem em não assumir a sua homossexualidade até aos próprios amigos, pensando que enganam todos com a nova “amiguinha”, e foi neste deambular de conversa que surge outro tipo de lésbica, a lésbica heterossexual, aquela que cria um casamento de fachada, e por sugestão da x-pressiongirl, aceitei escrever um post acerca disso, até porque tenho conhecimentos de varias situações assim e vejo o transtorno que isso causa a curto e a longo prazo.
Na minha opinião, pessoas homossexuais que mantêm casamentos heterossexuais deviam ser todas levadas a uma salinha escura e serem esbofeteadas até acordarem para a realidade. Se estivéssemos a falar de há cinquenta anos atrás ou até mesmo há trinta anos, faria um esforço para tentar compreender e até mesmo tentar aceitar o porquê de uma pessoa que gosta de mulheres casar-se com um homem, pois back in the day a sociedade impunha-nos ainda muita mais pressão do que nos dias de hoje. Mesmo a vários níveis, a mulher casava no início da casa dos vinte e impensável um homem com um quarto de século não estar a trabalhar para sustentar uma casa com filhos; muito menos aceitável então era uma mulher pegar nas coisinhas e ir viver feliz com outra mulher sem perder a honra e ser rejeitada tanto pela sociedade como pela sua família, então para se evitar o sofrimento de tanta gente, havia malta que preferia sacrificar a própria felicidade… mas isto há 50 anos atrás, minha gente!!!
A pressão ainda hoje existe, mas não se pode comparar, e cada um tem que se impor por aquilo em que acredita, e pessoas homossexuais que insistem em viver dormentes para não fazer os outros desconfortáveis é do mais hipócrita, egoísta e horrível que alguém pode fazer. Valerá mesmo a pena sacrificar a nossa felicidade e a nossa sexualidade só para não magoar o papá ou a mamã que imaginaram a menina vestida de branco pronta a ser entregue a um homem que a mereça? Os pais projectam sempre nos filhos coisas que de eles se possam orgulhar; vai ser médica, ou advogada! Vai casar-se e encher-me a casa de netos! Então e se quiser ser artista? Se quiser enveredar por uma vida que não aquela que os pais ou mesmo a sociedade pensou para ela? Em nada difere o facto de se ser gay, não vai encher a casinha da avó com crianças, mas não é por isso que não possa deixar de ser uma pessoa excelente. Vale mesmo a pena
viver uma vida dupla, em que o dia-a-dia é feito de mentiras? Esse tipo de pessoas nem tem a noção no mal que estão a fazer à sua cara-metade, que sem saber vive na ilusão dum casamento normal. Mas acho que já é um ponto bem assente que, tudo o se faz mais cedo ou mais tarde vem-se a saber, e sim, a cara metade vai com certeza descobrir! E aí minhas caras podem sentir-se orgulhosas por arrasarem com outro ser humano!
Acham que isto justifica a capa que alguns ainda hoje insistem em pôr? Não tiveram a coragem para serem livres e tomar “o touro pelos cornos”, então preferem sacrificar outra pessoa para manter a fachada que os liberta dos problemas, um verdadeiro escudo humano!!! Daí eu sentir até uma certa repulsa por pessoas que preferiram enveredar por esse “way of life”. Já para não falar na vida sexual! Como é que uma mulher que quer é outras mulheres, quer a sensualidade e o toque de outra mulher, consegue ser penetrada por um homem?! Como é que uma mulher que gosta dos contornos dum corpo feminino se sujeita à rudeza dum corpo masculino?
Um exemplo que me chocou recentemente:
No outro dia em conversa com um amigo, soube que o X namorava há uma serie de anos com o Y, casado e com dois filhos (UAU), e para melhorar a coisa X até conhece a esposa do Y!!! Há coisas fantásticas não há? A esposa acredita que os dois são bons amigos, ela até gosta do X e ele frequenta a casa e conhece os putos… Digam-me como é que ela se sentirá quando descobrir que o amigo X afinal até anda a comer no mesmo sítio que ela (se é que ainda coma alguma coisa de jeito) e que até trata o seu marido por namorado há não sei quantos anos? Digam-me como é que essa mulher se vai sentir com ela própria e com a vida? Uma mentira! Viveu uma ilusão, uma farsa! Tudo em prol duma fachada para poupar gente? Tudo em prol de gente sem colhões, sem capacidade para enfrentarem o mundo para serem felizes?! Já para não falar do X, esse então devia ser morto a tiro por ser tão fraco de personalidade e com tão pouca ética para se deixar enrolar com um homem casado e pai de filhos, como se não houvesse por ai gays suficientes dispostos a abrir a pernoca. Alem do mais, nunca chega a ter uma relação decente… pois a noite não lhes pertence, a constante presença/ausência, como tantas outras coisas que fazem parte e são necessárias ao desenvolvimento saudável numa relação.
Por isso minhas caras sejam íntegras a vocês mesmas; tenham o arcaboiço para serem felizes! Não magoem deliberadamente o próximo, pois não há nada pior que males do coração e vidas de faz de conta.
Para aquel@s que quiserem ver um outro ponto de vista, também interessante, sobre este tema, fica aqui o link.

Um bem-haja,
Cheers!

domingo, 8 de junho de 2008

Tráfico humano - O mal da Indiferença

Li, no Feminista Actual (também conhecido por "O Mal da Indiferença"), que Portugal continua a revelar-se ineficaz no combate ao tráfico humano. É um blogue escrito a três mãos deliciosamente atentas. Não há feminismo onde não houver um compromisso com as mais diversas causas sociais. É um dos poucos blogues que publica e reflecte sobre assuntos tão pouco abordados como o tráfico humano, mas os seus méritos não se esgotam aí. Vale a pena a visita.
O tráfico humano é a cabeça de um polvo que agarra umas pessoas para servirem outras. Falamos de escravatura, logicamente. Em todo o lado ela é ilegal mas existe em TODOS os países, ainda que assuma formas e proporções diferentes.
Alguns tornam-se escravos pelo seu próprio pé, quando fogem da guerra, da miséria ou do desemprego. O facto de se terem "escravizado" por iniciativa própria não os torna menos escravos. Na verdade, podemos mesmo dizer que o fizeram por iniciativa própria quando foram circunstâncias inóspitas (as tais garras do polvo) que os forçaram a tomar tal decisão?
Outros, as vítimas do tráfico doméstico, nascem escravos e trabalham gratuitamente (ou ridiculamente pagos só para comer, dormir e continuar a trabalhar, comer e dormir...) em nome de guerras ou em nome da prosperidade do seu país (de repente lembrei-me de Portugal, mas eu estava a falar da China não era?).
Por fim, há outros que são raptados para que o seu corpo seja vendido inteiro (na indústria do sexo) ou em partes (no tráfico de órgãos).
A escravatura dos nossos dias e da nossa geografia é composta por vítimas que são levadas, ou por via da força ou por via de promessas e mentiras, a endossar os números da exploração laboral e sexual (muitas vezes associada à exploração laboral).
Se é certo que a pobreza e a desigualdade tornam determinadas populações mais vulneráveis a isto, é também certo que mesmo que pobreza e desigualdade não existissem, o problema não estaria exterminado. Ele existe precisamente porque há traficantes e há traficantes porque há clientes. Todos eles devem ser severamente punidos e é estranho não se ouvir falar de casos em que haja punições realmente exemplares para estes criminosos.
Segundo o relatório anual do Departamento de Estado norte-americano, que analisou o comportamento de 170 países face a este crime, “Portugal não cumpre ainda os padrões mínimos para eliminar o tráfico de seres humanos”. As penas são mínimas e, para se ter uma ideia, em 2006, 65 pessoas foram acusadas deste crime, sendo que apenas 49 foram condenadas e somente oito cumpriram, efectivamente, pena.
Porquê? Vejamos, quem é que os acusa? Quem é que ousa acusar, em nome individual, suspeitos de integrar uma rede de tráfico, arriscando a sua própria pele sem qualquer garantia de salvaguarda institucional? Que protecção é efectivamente dada às vítimas ou aos denunciantes? E quantas vezes as próprias denunciantes são, também elas, julgadas e presas, sendo tratadas igualmente como criminosas quando deviam ser vistas como vítimas? Qual é a barreira exacta entre um imigrante ilegal e uma pessoa traficada?
No ano passado, ainda durante a presidência portuguesa da UE, a «Declaração do Porto», sobre Tráfico de Seres Humanos, foi pomposamente lida por Jorge Lacão que orgulhosamente viria a dizer que Portugal era “um dos países mais avançados nesta matéria”. Presumi que estivesse a referir-se em matéria de justiça frouxa, à medida do bandido, por isso considerei-o coberto de razão. Estamos muito “avançados” e temos senhores muito avançados a “tomar conta” de nós. Recentemente até houve um senhor que veio propor que a violência doméstica deixasse de ser crime público. Isto ajuda o agressor ou a vítima?
Lê-se no Feminista Actual: “O relatório caracteriza Portugal como um país de destino e trânsito para mulheres, homens e crianças provenientes principalmente do Brasil, Ucrânia, Moldávia, Rússia, Roménia e África para fins de exploração sexual e laboral. Anualmente, cerca de 800 mil pessoas são traficadas; 80 por cento das vítimas é do sexo feminino e 50 por cento são menores.”. Isto são, naturalmente, estimativas a nível global porque ninguém consegue contabilizar de forma segura o número de pessoas traficadas.
A comunicação social anunciou que daqui a cerca de um mês será inaugurado o primeiro Centro de Acolhimento e Protecção dirigido a vítimas de tráfico (iol e rtp – parece que os únicos a noticiar isto no ciberespaço - noticiaram mulheres, em vez de vítimas, como se também não houvesse crianças e homens traficados – ainda que em menor proporção, é certo). Logicamente, a criação do CAP não é a única medida (neste caso, de apoio às vítimas).
O Portal do Governo anunciou (faz agora um ano) o seu I Plano Nacional Contra o Tráfico de Seres Humanos (2007-2010) , por isso sobram ainda cerca de dois anos para pôr em prática todas as medidas que lá vêm descritas.
Ou eu ando muito distraída ou o governo anda a atrasar-se. Apetece-me comentar alguns desses planos contra o tráfico:

- promoção de estudos no âmbito do tráfico de seres humanos (creio que o único estudo desenvolvido em Portugal depois disto foi um encabeçado por Boaventura de Sousa Santos, cujas conclusões ainda não tive a oportunidade de ler);
- encaminhar fundos para a investigação científica de forma a promover conhecimento, actualizado e diversificado sobre o tráfico de seres (vai ser bonito de se ver o governo a encaminhar fundos para a investigação científica na área das humanidades);
- estabelecimento de protocolos com empresas do sector da Internet (servidores de messenger e chats) para que criem “caixas informativas” nos acesos aos seus serviços (mais útil do que levarmos com publicidade comercial);
- apoiar uma longa-metragem que se centre nesta problemática (câmeras na mão! Ainda têm 2 anos para criar o filme!);
- apoiar no âmbito da disciplina de educação sexual o desenvolvimento de programas que promovam a tolerância zero contra a violência e discriminação de género (existe mesmo uma disciplina de educação sexual?);
- criação de uma linha (a “Declaração do Porto” prevê que seja uma linha internacional comum a todos os países);
- incrementar o número de fiscalizações a actividades laborais mais susceptíveis de albergarem focos de criminalidade organizada relacionada com o tráfico de seres humanos (a ASAE serve para isto mesmo);
- canalização de parte dos bens e activos apreendidos no âmbito de investigações/condenações por tráfico de seres humanos para programas de apoio a vítimas de tráfico (a outra parte é aquela que nunca ninguém sabe ao certo para onde vai).
Falta uma coisa deveras importante que é a efectiva punição dos criminosos, promover mecanismos na lei que não deixem espaço para fugas à justiça (e as fugas costumam ser "espaçosas").
É bom relembrar que num país de prescrições e de prisões domiciliárias o crime compensa. Alguém me sabe informar o que aconteceu aos senhores da Passerelle, acusados de 1200 crimes?
Não gosto de reproduzir números, eles estão sempre incorrectos e as fontes nunca são unânimes, contudo, fi-lo para que melhor ideia se possa ter da extensão do crime.
No âmbito do projecto DAPHNE (programa de combate à violência) foi elaborado um guia dirigido a profissionais e pessoas que se queiram envolver na luta contra o tráfico. É um guia interessante para a prestação de apoio às vítimas e está traduzido em português aqui.

Condessa X

P.S. - Enquanto não se cria e divulga a porcaria de uma linha internacional de apoio, nada melhor do que recorrer a quem mais parece perceber do assunto (não sei se percebe realmente, mas quero acreditar que sim): A APAV tem a linha de apoio à vítima 707 20 00 77 (que é triste não ser gratuita).