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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Da Usurpação



Da usurpação

1. Assinaturas

Temos sentado no nosso parlamento um "partido" que começa a saga de usurpações pela usurpação de assinaturas na hora de se constituir formalmente.
Mas não foram só as assinaturas que ele usurpou.

2. Palavras

Foi, também, a palavra "Chega" que foi alvo de sequestro. Um partido que esconde numa palavra de uso corrente qualquer referência àquilo que esperamos saber de um partido político. Não que os partidos façam jus às palavras que chamaram para si, como: socialismo, democrata, popular, social-democracia. Mas era suposto elas serem uma referência.
Desta forma, de cada vez que usamos a palavra "chega" ou "basta" corremos o risco de ser conotados como apoiantes.

3. O Hino Nacional

O Chega (antes usurpador da palavra Basta, que deu nome à coligação de direita da qual fizeram parte PPM, PPV/CDC, movimento democracia 21 e o rascunho do que hoje conhecemos como Chega) usurpou também (sobretudo dos nossos relvados) o Hino Nacional (não cantado, mas grunhido da forma mais boçal e muitas vezes acompanhado de um gesto associado ao fascismo).
No último 25 de Abril ouviu-se e cantou-se, de forma alternada em toda a minha rua o Hino Nacional e Grândola Vila Morena. Na minha janela a bandeira nacional ao lado do cravo.

4. A nossa bandeira
Partido algum deveria poder usar a bandeira nacional durante as suas campanhas. Para isso existem as bandeiras dos partidos. A bandeira nacional é um objecto que deve ser usado como elemento gregário e não segregador.
Alguns amigos brasileiros têm medo de ser confundidos com bolsominions (a versão brasileira da saloiada chegana), por isso deixaram de usar camisolas com as cores da bandeira e isso é um grande erro.
Há uma imensidão de bolsonaristas a viver em Portugal (lembrem-se que 56% dos brasileiros que vieram para cá usufruir do nosso socialismo, segurança e tolerância votaram no coiso) que votam também nas eleições portuguesas (ambiguidades da dupla nacionalidade, né?) e que estão infiltrados no Chega, em grupos do Whatsapp, Telegram, páginas negacionistas, anti-vacina, terraplanismo e demais imbecilidades.
Quem acompanha a novela brasileira sabe perfeitamente o que vai acontecer a partir daqui e é essa a nossa vantagem.
Não deixaremos que o fascismo usurpe o nosso hino, as nossas palavras nem a nossa bandeira!
Domingo levarei comigo a minha bandeira e o meu baton!

#vermelhoembelem

usurpar: Usufruir de algo de forma indevida; tomar à força ou de forma fraudulenta


Condessa X
 

quarta-feira, 2 de março de 2011

Mudar de camisola

No final do ano passado a banda de rock britânica Status Quo decidiu optar por uns camuflados.
O rock, aquele murro na barriga do poder, intimamente ligado ao espírito revolucionário e ao questionamento dos poderes vigentes, aparece agora deslumbrado pelo polvo, alegando que o faz por caridade.
Lembram-se da música "In the army now"? Costumava ser uma música de intervenção que questionava o suposto heroísmo de quem busca a glória e o recohecimento dos vizinhos, matando em terras alheias.
No final de 2010, a banda relançou o tema. Mudou a letra, vestiu camuflados e cantou ao lado de soldados, não pelo fim da guerra, mas para apoiar os soldados britânicos, através da "British Forces Foundation" e da "Help For Heroes", tendo ainda o desplante de apelar ao governo que suprima o IVA da venda do single.Vale a pena ver como mudando 6 linhas se muda de lado da barricada. A negrito aparecem as alterações.

A vacation in a foreign land [You're on your way to a foreign land]Uncle Sam does the best he can [Now's the time to do what you can]You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Now you remember what the draftman said
Nothing to do all day but stay in bed
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

You'll be the hero of the neighbourhood
Nobody knows that you left for good [Count the days till you're back for good]
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Smiling faces as you wait to land
But once you get there no one gives a damn [Side by side every woman and man]
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Handgrenades flying over your head
Missiles flying over your head
If you want to survive get out of bed
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Shots ring out in the dead of night
The sergeant calls stand up and fight!
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

You've got your orders better shoot on sight [You've got your orders better put things right]
Your finger's on the trigger
But it don't seem right [Now it's time to fight]
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now

Night is falling and you just can't see
Is this illusion or reality
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now
You're in the army now
Oh, oh, you're in the army now


Xutos e Pontapés, Delfins, Rádio Macau, Peste e Sida, Pedro Burmester, Sitiados, Bastardos do Cardeal, Mão Morta, Mata Ratos, Sétima Legião, entre outros, estiveram entre os grupos portugueses que, também nos anos 80, uniram vozes pelo anti-militarismo, contra a guerra e contra o Serviço Militar Obrigatório. Algumas ainda existem. Não mudem é de camisola!

Condessa X

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ele é mais bolos



O homem nunca fala e quando fala é para dizer que não fala. Não fala nem nunca falou sobre temas essenciais, e evita pronunciar-se sobre o que quer que seja porque não se quer comprometer com nada.
Não fala sobre BPN, não fala sobre a petição contra o enriquecimento ilicito (de todos os candidatos presidenciais foi o único que não assinou a petição), não fala e por isso merece estar calado para sempre. Não votem nele e ofereçam-lhe um bolo.



Condessa X

terça-feira, 26 de maio de 2009

Passeios livres


Quem mora ou trabalha em cidades grandes sabe que estas estão cada vez mais pensadas à medida das viaturas e não à medida dos peões. Soube, via Spectrum, do movimento passeio livre, que através da iniciativa de aplicar autocolantes nos vidros dos carros (há um procedimento específico, que deverão seguir, caso queiram participar, basta que leiam a secção lateral do blog) visam alertar os condutores desrespeitosos para o transtorno que a falta de cívismo causa aos peões.



Para enviar fotos ou participar com outro tipo de contributos basta enviar um mail para peao.exaltado@gmail.com .
Está a decorrer uma votação no Passeio Livre para que elejam o autocolante que considerem mais apelativo e eficaz.
Sensibilizada com as inúmeras campanhas que promovem os transportes não poluentes e a utilização de viaturas por mais de uma pessoa (não vos choca aperceberem-se que a generalidade das viaturas transporta em média uma pessoa por viagem?), indico para a secção das "praias com ondas grandes" três outros espaços de interesse. O "carpool.pt", o "mobcarsharing.pt" e o "de boleia".



Condessa X

P.S. - A "falta de noção" começa naqueles que são coniventes com o que se passa nas Escolas de Condução Portuguesas, cuja prioridade é sacar o máximo de dinheiro aos alunos, procurando, em vez de formá-los, confundi-los com testes que em nada atestam a sua capacidade de bons condutores.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Como continuares a ser vítima sem que ninguem dê por nada

Se acreditas num grande amor que te salvará de todas as desgraças, não te tornes numa desgraçadinha. Tudo o que doravante escrever neste post é violência e onde houver verdadeiro amor não há espaço para qualquer uma destas alíneas.

A abnegação é o primeiro passo para te anulares a ti mesma, eis os seguintes:


1. - Isola-te do mundo e passa a privar apenas com a tua cara-metade;
2. - Deixa de sair com os teus amigos, sobretudo se a tua namorada não gostar muito deles;
3. - Apaga o teu hi5, gaydargirls, orkut e, se possível, muda de número de telefone;
4. - Vai viver com a tua namorada, sobretudo se ela te fizer ver que assim poderão passar mais tempo juntas;
5. - Não te importes de chegar atrasada ao teu emprego desde que a noite anterior com a tua namorada tenha sido animada. Já sabes que na ausência de boas desculpas para o patrão aquele decote resolve alguns argumentos em falta;
6. - Deixa que seja a tua namorada a decidir tudo por ti. Ela parece uma pessoa mais experiente e saberá o que é melhor para vocês duas;
7. - Se ela alguma vez parecer rude contigo é impressão tua. Tu é que és demasiado obcecada com gentilezas e devias respeitar mais o feitio das outras pessoas;
8. - Aprende a ser obediente e nada de mal te acontecerá;
9. - Se te parecer que ela te controla demais, isso também deve ser impressão tua. O mais provável é ela estar, simplesmente, preocupada com o teu bem.
10. - Se ela te proibir de fazer alguma coisa, não o encares como uma restrição, apenas como um bom conselho que deverás seguir tão cegamente como o vosso amor;
11. - Nunca contes nada sobre o teu relacionamento a quem quer que seja porque ninguém tem nada com isso. Se a pessoa for insistente limita-te a responder sempre "Está tudo bem", porque tu sabes que está sempre tudo bem;
12. - Mesmo que não estejas disposta a fazer algo que ela deseje muito, deverás sacrificar-te pois o amor é feito de sacrifícios;
13. - Sabes que se a largares nunca mais vais encontrar alguém que te ame tanto como ela;
14. - No outro dia sonhaste com aquela rapariga que frequenta o mesmo ginásio que tu. Sabes que isso é inadmissível e até pode ser considerado traição. Nunca mais sejas simpática para essa rapariga que isso põe em causa o teu relacionamento actual;
15. - Se alguma vez ela te bater foi porque mereceste. Além disso, acredita nela se te disser naquele tom meigo "Não voltará a acontecer, querida". @-}-}--

x-pressiongirl

P.S. - Dedico este post a todas as raparigas que apesar de merecerem umas palmadinhas valentes sairam, por cortesia minha, impecavelmente ilesas. ;-)

P.S. 2 - Se estão recordad@s, as imagens provêm do talento de Tattts e de Pretty cool huh, respectivamente. Aproveito para informar que ambos se encontram com bons projectos em mãos, sendo que as suas amáveis contribuições para o sembikini estão pendentes. Por este motivo o sembikini encontra-se sem desenhistas e se quiserem aventurar-se com desenhos das 12 lésbicas poderão enviar a vossa visão das nossas 12 amigas para sembikini@gmail.com . Clicando em cada um deles poderão apreciar alguns dos seus novos trabalhos. Aos dois desejo todo o sucesso que merecem. \_/*\_/ Cheers darlings ;-)

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Este é o momento

Na sua moção de (des)orientação política a apresentar aos militantes do PS, Sócrates propõe continuar as medidas já tomadas (incluindo as massagens no pêlo dos bancos) e algumas novidades: uma redução dos impostos para a classe média e a súbida para quem ganhe mais.


O coelhinho que saiu da cartola foi este:

"E este é o momento para que o PS no seu Congresso Nacional afirme a sua vontade de propor à sociedade portuguesa o direito ao casamento cívil para pessoas do mesmo sexo. Chegou o momento para fazermos este debate, para fazermos esta discussão com a sociedade portuguesa."

É sempre bom relembrar que no dia 10 de Outubro, dia em que foram apresentadas as propostas do Bloco de Esquerda e d'Os Verdes, o PS impôs uma disciplina de voto que obrigou os deputados a votar contra, com o ridículo argumento de que ainda não tinha havido debate na sociedade portuguesa (a própria JS havia lançado um colóquio ??internacional?? sob o tema "Nada mais que a Igualdade" em Julho).



Quanto à adopção, isso não é para agora, que este NÃO é o momento. Questões de agenda, já se sabe. Contentem-se agora com rebuçadinho ou descontentem-se de todo porque é chegado o momento de pôr este senhor a milhas.

O link do vídeo aqui

http://ww1.rtp.pt/noticias/index.php?headline=98&visual=25&article=383187&tema=28

Condessa X

domingo, 9 de novembro de 2008

De quem é a rua?


Ontem foi um dia animado. @s professores (seriam entre 110 e 120 mil) vieram expor publicamente o seu descontentamento face aos inúmeros ataques de que têm sido alvo. Deixo-vos, a título de exemplo, um dos questionários aos quais o Ministério da (des)Educação os submete.



Esta afirmação rídicula (tal como todas as outras) é uma das que constam no questionário linkado.
E não são só os stôres que têm motivos para estar descontentes, são os alunos, os pais dos alunos, os futuros pais e toda a sociedade que verdadeiramente se preocupa com o descalabro que aqui anda em termos de política educativa.
E a rua foi deles!
E as ruas continuaram cheias de pessoas que, eventualmente, terão aproveitado para desfrutar do passeio pela capital. Ouvia-se falar de ensino em cada esquina. Às 2h os donos dos bares começaram a expulsar as pessoas mais teimosas:
"Vá lá, têm de ir embora para não termos problemas, está bem?"
Problemas. Com a polícia? Com a Câmara? Com os moradores? Vejam lá se acertam na resposta.
Este recolher obrigatório faz-me lembrar das histórias contadas pelos meus avós.


(Imagem sofregamente roubada do Invisible Red. A frase é da responsabilidade da Condessa. :-)

Qualquer dia não podemos estar mais de três pessoas a falar nos cafés e toda a gente sabe que para jogar à sueca são precisas quatro.

Outro pequeno desafio:
Os moradores sentem-se mais seguros com o encerramento dos bares às 2h? Os frequentadores sentem-se mais seguros? O metro irá funcionar até às 2h? A polícia será mais eficaz no combate à criminalidade? Quem lucra verdadeiramente com o encerramento do bairro às 2h (além do Frágil, que ontem tinha quilos de gente à espera de entrar)?
As pessoas que não moram no centro de Lisboa sabem que a noite lhes sai cara. Se os bares fecham às 2h que alternativa têm aqueles que dependem dos transportes que só amanhecem com a luz do sol? O sembikini contactou o gabinete do Sr. António Costa e eles responderam: "Ah, podem vir de carro, ou ir fazer tempo para uma discoteca ou então ficar em casa, claro". Ou seja: poluir a cidade que eles queriam com menos carros, gastar para encher os bolsos de quem mais lucra ou calar.
Havia uma concentração pacífica, convocada por sms e através de alguns blogs (Mea Culpa, aqui não se bikinou), às 2:30 no Largo Camões. Alguns comerciantes juntaram-se aos clientes e amigos do bairro. Entre apitos e jambés lá se gritaram umas palavras de ordem, fez-se rappel em estátuas (altamente desaconselhável porque as estátuas há meses que não vêem limpeza) e mostrou-se a identificação aos polícias mandatados pela CML. Não sei se mais gente se terá apercebido que, pelo menos, um polícia trazia meio escondida no casaco uma camera com a qual filmava os manifestantes à medida que circulava discretamente entre eles.
São estas as ruas que queremos? Para a semana há mais, caríssim@s!

Para assinar a petição contra o encerramento do Bairro Alto às 2h é aqui.

x-pressiongirl

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Fac(h)adas - por Tattts

Há conversas produtivas que resultam sempre em mais conversas produtivas. É por isso que agente nunca mais se cala e Tattts mostra que além de desenhista tem outros dotes.
Todo o texto que se segue é da sua responsabilidade.

No outro dia em conversa com a x-pressiongirl acerca dos vários tipos de lésbicas, começámos a divagar se não faltariam alguns outros estereótipos por expor, como o caso da lésbica parola que se diverte em por fotos que não são suas em sites de encontros, ou então aquelas lésbicas autenticas machonas (e não só) que aparecem com amigas do nada, que ninguém conhece e insistem em não assumir a sua homossexualidade até aos próprios amigos, pensando que enganam todos com a nova “amiguinha”, e foi neste deambular de conversa que surge outro tipo de lésbica, a lésbica heterossexual, aquela que cria um casamento de fachada, e por sugestão da x-pressiongirl, aceitei escrever um post acerca disso, até porque tenho conhecimentos de varias situações assim e vejo o transtorno que isso causa a curto e a longo prazo.
Na minha opinião, pessoas homossexuais que mantêm casamentos heterossexuais deviam ser todas levadas a uma salinha escura e serem esbofeteadas até acordarem para a realidade. Se estivéssemos a falar de há cinquenta anos atrás ou até mesmo há trinta anos, faria um esforço para tentar compreender e até mesmo tentar aceitar o porquê de uma pessoa que gosta de mulheres casar-se com um homem, pois back in the day a sociedade impunha-nos ainda muita mais pressão do que nos dias de hoje. Mesmo a vários níveis, a mulher casava no início da casa dos vinte e impensável um homem com um quarto de século não estar a trabalhar para sustentar uma casa com filhos; muito menos aceitável então era uma mulher pegar nas coisinhas e ir viver feliz com outra mulher sem perder a honra e ser rejeitada tanto pela sociedade como pela sua família, então para se evitar o sofrimento de tanta gente, havia malta que preferia sacrificar a própria felicidade… mas isto há 50 anos atrás, minha gente!!!
A pressão ainda hoje existe, mas não se pode comparar, e cada um tem que se impor por aquilo em que acredita, e pessoas homossexuais que insistem em viver dormentes para não fazer os outros desconfortáveis é do mais hipócrita, egoísta e horrível que alguém pode fazer. Valerá mesmo a pena sacrificar a nossa felicidade e a nossa sexualidade só para não magoar o papá ou a mamã que imaginaram a menina vestida de branco pronta a ser entregue a um homem que a mereça? Os pais projectam sempre nos filhos coisas que de eles se possam orgulhar; vai ser médica, ou advogada! Vai casar-se e encher-me a casa de netos! Então e se quiser ser artista? Se quiser enveredar por uma vida que não aquela que os pais ou mesmo a sociedade pensou para ela? Em nada difere o facto de se ser gay, não vai encher a casinha da avó com crianças, mas não é por isso que não possa deixar de ser uma pessoa excelente. Vale mesmo a pena
viver uma vida dupla, em que o dia-a-dia é feito de mentiras? Esse tipo de pessoas nem tem a noção no mal que estão a fazer à sua cara-metade, que sem saber vive na ilusão dum casamento normal. Mas acho que já é um ponto bem assente que, tudo o se faz mais cedo ou mais tarde vem-se a saber, e sim, a cara metade vai com certeza descobrir! E aí minhas caras podem sentir-se orgulhosas por arrasarem com outro ser humano!
Acham que isto justifica a capa que alguns ainda hoje insistem em pôr? Não tiveram a coragem para serem livres e tomar “o touro pelos cornos”, então preferem sacrificar outra pessoa para manter a fachada que os liberta dos problemas, um verdadeiro escudo humano!!! Daí eu sentir até uma certa repulsa por pessoas que preferiram enveredar por esse “way of life”. Já para não falar na vida sexual! Como é que uma mulher que quer é outras mulheres, quer a sensualidade e o toque de outra mulher, consegue ser penetrada por um homem?! Como é que uma mulher que gosta dos contornos dum corpo feminino se sujeita à rudeza dum corpo masculino?
Um exemplo que me chocou recentemente:
No outro dia em conversa com um amigo, soube que o X namorava há uma serie de anos com o Y, casado e com dois filhos (UAU), e para melhorar a coisa X até conhece a esposa do Y!!! Há coisas fantásticas não há? A esposa acredita que os dois são bons amigos, ela até gosta do X e ele frequenta a casa e conhece os putos… Digam-me como é que ela se sentirá quando descobrir que o amigo X afinal até anda a comer no mesmo sítio que ela (se é que ainda coma alguma coisa de jeito) e que até trata o seu marido por namorado há não sei quantos anos? Digam-me como é que essa mulher se vai sentir com ela própria e com a vida? Uma mentira! Viveu uma ilusão, uma farsa! Tudo em prol duma fachada para poupar gente? Tudo em prol de gente sem colhões, sem capacidade para enfrentarem o mundo para serem felizes?! Já para não falar do X, esse então devia ser morto a tiro por ser tão fraco de personalidade e com tão pouca ética para se deixar enrolar com um homem casado e pai de filhos, como se não houvesse por ai gays suficientes dispostos a abrir a pernoca. Alem do mais, nunca chega a ter uma relação decente… pois a noite não lhes pertence, a constante presença/ausência, como tantas outras coisas que fazem parte e são necessárias ao desenvolvimento saudável numa relação.
Por isso minhas caras sejam íntegras a vocês mesmas; tenham o arcaboiço para serem felizes! Não magoem deliberadamente o próximo, pois não há nada pior que males do coração e vidas de faz de conta.
Para aquel@s que quiserem ver um outro ponto de vista, também interessante, sobre este tema, fica aqui o link.

Um bem-haja,
Cheers!

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

O flirt - 12 lésbicas em acção

As amigas estão tristes porque o flirt não correu lá muito bem. Elas explicaram-me o que aconteceu:

"Os nossos olhares cruzaram-se várias vezes, intercalados por sorrisos abertos. A rapariga estava a flirtar comigo e decidi avançar. Começámos a falar e quando lhe perguntei se ela costumava vir a esta discoteca ela disse que sim, que vem sempre com a namorada. Então flirta comigo daquela forma e depois diz-me que tem namorada??? Interpretei isto como? Como um corte radical, talvez. O assunto morreu ali mas eu fiquei a matutar na cena.”

Vítima – As pessoas estão sempre a iludir-me. As lésbicas adoram enganar-se umas às outras.

Machona – Gostava de ver as trombas da tua namorada. Não deve ser lá muito certa de deixar uma rapariga sozinha enquanto vai buscar as bebidas.

Tímida – Eu não cheguei a ir ter com ela. Saí da discoteca um pouco arrependida por não lhe ter falado, mas acho que ela é que devia ter tomado a iniciativa de vir falar comigo. (Pois é, amiga, duas tímidas não vão a lado nenhum)

Sonsa – Olha a cabra a usar a minha técnica. Há-de pagá-las. (Adoro quando duas sonsas se encontram e provam o veneno uma da outra).

Brincalhona – Desculpe desiludi-la, mas eu confundi-a com outra pessoa. Agora que estou a vê-la melhor é que percebo que preciso mesmo de mudar as lentes.

Simpática – Permita-me dizer que a sua namorada tem imenso bom gosto.

Desportista – Eu sabia que devia ter vestido aquele top. Sim, aquele mesmo, o que me realça os músculos. (humm, não sei se era bem isso, se calhar devias era ter tomado aquele duchinho)

Intelectual – Fufa tonta. A fazer-me crer que estava interessada em conversar comigo.

Obsessiva – Oh, a sério, tens namorada? Mas olha, podemos trocar contactos e combinar café um dia destes sem ela saber!

Artística – Tonta. Se soubesses os poemas lindos que eu iria escrever-te arrependias-te agora.

Púdica – Eu não meto conversa com desconhecidos. Eu só procuro amizade e, além disso, os contactos que se fazem na noite e na Internet não são válidos. (púdica, não me diga que anda a conhecer lésbicas na mercearia...)

Diva – Eu interpretei a frase dela como um convite para um ménage, resta-me saber se a namorada é tão gira como ela. Apesar de não usar a fórmula “costumas vir a este sítio?” não sei o que me deu desta vez. Uma diva também se descontrola às vezes, hein?
Eu sei que há muitas raparigas que sentem prazer em dar cortes, possivelmente, porque têm uma auto-estima muito baixa. De facto, acho que a luz da discoteca não revela a minha beleza real e se é verdade que ela tem namorada e está a flirtar descaradamente com outras raparigas, das duas uma, ou têm uma relação muito liberal e querem um ménage ou então a rapariga é uma cabra e se realmente me deu um corte, ainda bem que o fez agora porque eu detesto as cabras que não mostram logo o que são. Se ela é capaz de enganar a namorada agora, seria capaz de me enganar a mim também se algum dia eu viesse a namorar com ela. As que teriam a coragem de enganar as namoradas para ficar connosco são SEMPRE cartas fora do baralho.

Quanto a vocês não sei... mas eu vou...
Vá, Bom fim-de-semana! ;-)

x-pressiongirl

P.S. - O quê? Ainda não conhece estas 12 amigas? Elas andam sempre por aqui.

P.S. 2 - O sembikini já tem 2 desenhistas oficiais. É bom saber que os desenhos estão a chegar porque eu já estava a ponderar ir visitar o meu "Pai de Santo" para ir rezar um bocadinho. A rapariga que surge desenhada é aquela com a qual as nossas amigas travaram conhecimento. As 12 lésbicas surgem das mãos habilidosas de pretty cool huh, que tem o mérito de imaginar as personagens através dos textos. O sembikini agradece o enorme empenho nesta brincadeira desvairada que já nos valeu tantos elogios como repreensões. É uma honra termos pretty cool huh a figurar na pink list activa do blog pois este é um nome a não perder de vista na cena BD. Vale a pena a visita ao seu deviant art!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

As jeitosas

Hoje é dia 11 de Setembro e para assinalar a triste data também eu venho falar de atentados (se quiserem reflectir um bocado sobre o 11 de Setembro, cliquem nos links; se preferirem continuar a acreditar nas mentiras que a imprensa e os políticos controlados pelos donos do mundo nos vendem, ignorem os links e continuem a ler como se eu não tivesse dito nada) .
Penso que no Porto chamar-lhes-iam mais facilmente de mal-jeitosas. A x-pression tentou convencer-me a fazer um perfil mas assim que me deparei com a página principal, achei que sairia mais no lucro fazendo um perfil no gaydar dos rapazes.
Descobri que as raparigas contratadas para represntar as lésbicas na homepage do gaydargirls foram despedidas, por isso, de recordação, deixo aqui esta foto que roubei ao senhor nuba, que já havia reflectido sobre isto.



O gaydargirls colocou recentemente um anúncio para novas modelos a figurar nas imagens da página de entrada. Os requisitos eram muito difíceis de preencher pelas portuguesas que, regra geral, até têm algum gosto. Vale a pena dar um lucky look no anúncio que a administração do Gaydargirls colocou nos subúrbios londrinos e eu tomei a liberdade de traduzir:

"O gaydargirls procura raparigas jovens (preferencialmente virgens, mas, se não poder ser, ao menos que tenham boas mamas), com aspecto de quem leva porrada dos pais diariamente, com ar de que não toma banho regularmente e, mais importante de tudo, que não saiba sorrir.
Tens um ar desgraçadinho e infeliz, assim tipo Floribela?
Tens um corte de cabelo daqueles que não lembra a ninguém?
És gorda que nem uma lontra?
Tens um ar antipático?
Achas que perto de ti o Mike Tyson sentir-se-ia efeminado?
És a nossa rapariga! Vem tirar umas fotos e figurar na nossa homepage!"


Soube, junto de fonte fidedigna que o gaydargirls teve grande dificuldade em escolher as concorrentes, mas elas foram escolhidas a dedo (não sei qual deles, juro, se o indicador se o do meio).
Comparem as fotos do gaydargirls com as fotos do gaydarboys e chorem um bocadinho que é para aliviar os nervos.



Têm todas um ar desgraçadinho e infeliz q.b. Não há uma única foto em que alguma das pobres raparigas esteja com um ar mais feliz ou meio sorridente. É o tal drama de que vos falei. Até as administradoras do gaydargirls têm um pézinho a escorregar para o chinelo dramático. As miúdas têm todas um ar de quem acaba de sair da prisão e isso não é bom para uma rapariga que pondere fazer o seu registo e se depare com aquelas imagens. Vai deixar de ser lésbica nesse exacto momento, só de pensar que lá dentro vai encontrar raparigas iguais àquelas. Há quem jure que mesmo as raparigas portuguesas com as quais deus não foi tão generoso conseguem superar de longe qualquer uma das “modelos” gaydargirls (produto britânico da pior qualidade). Uma das minhas amigas descreveu melhor ainda este fenómeno: “Bem brega!”. :-)
Tenho um precioso informante que andou a partilhar umas coisinhas bem interessantes sobre o gaydar dos rapazes por isso um destes dias venho trazer informações sobre o que andei a descobrir no G World.

Trureloo,

Condessa X

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O divórcio ou Até que a morte nos separe

Li, na imprensa e um pouco por toda a blogosfera, que o Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR contabilizou só este ano, contas feitas até Agosto, 31 mulheres assassinadas pelo cônjuge/namorado ou ex-cônjuge/ex-namorado.
Além disto, segundo dados do DN, foram contabilizadas 35 tentativas de homicídio relacionadas com violência doméstica.
Os números parecem pequenos porque Portugal é um país pequeno. Geográfica, mental e políticamente pequeno. O nosso Pequeno presidente vetou, na passada semana, o diploma que pretendia alterar o Regime Jurídico do Divórcio (recentemente reciclado pelo PS a partir da ideia original do Bloco de Esquerda). Cavaco afirma ter vetado o diploma por este "conduzir a uma indesejável desprotecção do cônjuge ou ex-cônjuge que se encontre numa situação mais fraca - geralmente a mulher - bem como, indirectmente, os filhos menores". E disse mais ainda, "numa situação de violência doméstica, em que o marido agride a mulher ao longo dos anos - uma realidade que não é rara em Portugal -, é possível aquele obter o divórcio independentemente da vontade da vítima de maus tratos".
Tentando simplificar: Em Portugal há, legalmente, dois tipos de divórcio, aquele que é obtido por mútuo acordo e aquele que é litigioso (normalmente o que traz mais dinheiro aos tribunais). Ou seja, ou o acordo é mútuo ou terão de fazer a vida negra um ao outro até que algum desapareça.



Não existe em Portugal, como existe em Espanha ou na Suécia, o divórcio unilateral, em que um dos cônjuges decida romper o vínculo sem ter de alegar nada contra o outro. O que o projecto de lei original (do BE) defendia era que se deixasse de ter de averiguar culpas, ajudar a apaziguar todo um processo que poderia ser menos penoso para todas as partes. Lê-se no arrastão: "A actual lei aplica ao casamento a lógica de qualquer contrato, mas acrescenta-lhe obrigações morais que nada têm a ver com o património (como o da fidelidade). Ou seja, aplica a sentimentos a lógica das obrigações contratuais. Das duas uma: ou ao casamento exige-se apenas obrigações patrimoniais e financeiras ou se reconhece a sua natureza excepcional entre os contratos legais. E se assim é, aceita-se que o fim do amor, do afecto ou até do respeito são razões mais do que suficientes para pôr fim ao casamento sem que nenhuma das partes tenha de ser considerada culpada. Ou seja, aceita-se o que todos nós sabemos: que nenhum casamento pode sobreviver contra a vontade de uma das partes".
Não me confunde nada que haja divórcios decididos unilateralmente, o que me confunde é que se possa conceber que existam casamentos baseados numa vontade unilateral. Alguém que se lembre disto, por favor:



Quanto às vítimas de violência doméstica, urge entender que antes de serem vítimas de violência doméstica são vítimas de muitas outras coisas: vítimas de um casamento falhado, vítimas de um namorado obsessivo, vítimas de uma família pouco hospitaleira, vítimas de pobreza, vítimas de uma sociedade desigual e individualista, vítimas de leis que não as protegem. É sempre bom relembrar que, há cerca de três meses, Marinho Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados dissera não fazer sentido a violência doméstica ser considerada como crime público porque "Este modelo inviabiliza a desistência do processo ainda que a vítima assim o pretenda". Lá está a preocupação com a vítima... a preocupação em ajudar a vítima, não a proteger-se mas, a desistir de uma queixa.
Foi esta a preocupação que Cavaco transmitiu na passada semana ao mostrar-se tão solidariamente empenhado em manter casamentos unilaterais, apenas para se proteger o lado mais desprotegido, segundo ele, as mulheres.
Sentimo-nos mais protegidas não nos sentimos?

Condessa X

sábado, 19 de julho de 2008

Nova enquete: Consomes pornografia lésbica?

Tenho andado nuns debates animados sobre pornografia vs erotismo e já percebi que este é um assunto que dá pano para... bikinis. Na verdade penso que pornografia e erotismo não são compartimentos estanques. Lembrei-me de ir ao youporn e ao pornotube (que são concorrentes) e pesquisar por vídeos lésbicos. Em ambos os sites há duas secções distintas: a gay e a straight. Em que secção estão os vídeos lésbicos? Acertaram! Na secção straight! Faz sentido? Infelizmente faz porque a generalidade dos vídeos que lá estão são produzidos para o público masculino straight, ou seja a decisão de colocá-lo nessa secção é centrada no consumidor e não no conteúdo do vídeo (que é gay). Há, no entanto, vídeos algo inovadores que pretendem agradar mais a lésbicas, digo isto porque a abordagem é totalmente diferente:
1. parece haver algum tipo de enredo sem sexo gratuito (o tal porno "justificado", que muitos entendem como erotismo);
2. as raparigas aparecem vestidas no início do filme (e não imediatamente nuas);
3. há mais realismo já que as raparigas não têm ar de prostitutas baratas (e que indícios nos permitem detectar, à priori, que aquela mulher é uma prostituta ou actriz paga para o filme e não uma autêntica lésbica, que também pode ser prostituta ou actriz?);
4. não se limitam a gemer e a lamber, elas dizem coisas uma à outra (seja "dirty talk" ou mais clean) e beijam-se mais.
Isto é, na cabeça de uma lésbica este tipo de vídeos apresenta-se como mais verosímil já que ele parece ser concebido fora da perspectiva do homem hetero que vive assombrado pela fantasia de se juntar a duas raparigas.
Um exemplo:

As revistas e vídeos manga e hentai parecem sofrer do mesmo já que as histórias lésbicas têm como finalidade primeira agradar ao público heterossexual masculino, contudo, atrevo-me a dizer que estão um passo à frente dos vídeos feitos com mulheres reais por um motivo: trabalham bonecos e não pessoas. Os desenhos fazem parte do mundo fantástico onde a inverosimilhança é permitida.
Começam a surgir umas coisinhas feitas na óptica da mulher. Soube deste filme "Barcelona Sex Project" através do blog "sexualidade feminina".
O tema é complexo e rosa-que-fuma (do projecto franga-frango, projecto recente do qual falarei num post mais decente) fez-me ver que etimologicamente a palavra porno significa prostituta. Mas as palavras ganham novos significados, atribuimo-lhes novos sentidos consoante os contextos em que as usamos. Antes dos linguístas, somos nós que nos apoderamos delas e actualmente pornografia tem, entre outros, o sentido de perverso. Este conhecido filme de Stanley Kubrik é sempre apresentado como erótico. Mas esta cena tem ou não tem porno?


Uma dica: se forem menores e quiserem assistir aos filmes podem mentir na idade que eles nunca terão forma de confirmá-la. ;-)

x-pressiongirl

quarta-feira, 16 de julho de 2008

Casamento entre pessoas do mesmo sexo - Conferência hoje às 18h

Kai Mia Mera informou-me desta conferência que irá decorrer hoje às 18h, na Assembleia da República, no Auditório do Edifício Novo. É a Juventude Socialista que está a organizar esta "Conferência Internacional" (adoro estes títulos pomposos, sinto-me in num evento com esta combinação de letras).
Os oradores convidados são:
• Pedro Zerolo (Secretário Federal do PSOE com os pelouros dos Movimentos Sociais e ONG)
• Ana Catarina Mendes (Deputada e Vice-Presidente do Grupo Parlamentar do PS)
• Miguel Vale de Almeida (Antropólogo)
• Isabel Moreira (Constitucionalista)
• Paulo Pamplona Corte-Real (ILGA – Portugal)

Como a conferência é aberta ao público, a x-pression já fez saber que vai dar cabo daquilo tudo porque diz que é contra o casamento (seja ele entre pessoas do mesmo sexo, entre heterossexuais ou entre múltiplos parceiros), mas vai ser barrada logo à entrada do evento que aquilo não é para desordeiros, é só para pessoas de bem.
Aproveitem para ir ao bar da Assembleia da República e vejam com os vossos olhos os preços que os nossos políticos pagam por um café e onde se fuma um cigarrinho. Fora de brincadeiras, há cerca de 3 anos um café na AR custava €0,25 (nem numa escola pública há preços destes). Ah, aproveito para avisar que se quiserem mesmo ir ao café da AR devem ter o cuidado de não ser apanhados por nenhum segurança porque aquilo está repleto de mini-câmeras e eles não gostam que o povo saiba como é que eles vivem lá dentro. ;-)

Condessa X

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Por que é que os gays não devem reivindicar casamento

Durante a semana que passou, quase toda a blogaysfera referiu o casamento das duas senhoras que ao fim de 51 anos de convivência e luta conjunta se casaram. É bonito, mas não me satisfaz.

Têm sido semanas felizes para a comunidade gay. A Noruega juntou-se aos países que permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo e, por cá, foi publicado este livro.

Compreendo que os gays sintam necessidade de se afirmar como iguais perante uma sociedade que contempla o casamento (ainda que só meta os pés na igreja em eventos de maior calibre) como única forma de validar uma relação afectiva. Mas a coisa é perversa... vou mostrar porquê.
Os gays não devem reivindicar o casamento, da mesma forma que os heterossexuais deviam lutar por aboli-lo.
O casamento sempre foi a instituição que mais desigualdade promoveu entre homens e mulheres, entre homo e heterossexuais. É paradoxal vermos a comunidade gay a pedir igualdade abrigando-se numa instituição que sempre promoveu, promove e continuará a promover desigualdade entre casados, viúvos, divorciados e solteiros.
O casamento (matrimónio) surge como necessidade patriarcal de carimbar a propriedade de um homem (património).
Desde os casamentos dinásticos às uniões de facto, as pessoas fazem-no por motivos políticos e económicos. Amor? O amor faz-se no dia-dia com todos os seres (humanos ou não), quando se dá um abraço sincero a um amigo, quando se cumprimenta cordialmente um vizinho ou quando se dá alimento a um animal de rua faminto, e isto, normalmente, fazêmo-lo vestidos. O que fazemos nús, é sexo! Por mais doce e ternurento que seja, continuará a ser sexo.
Assisti ao debate promovido pela Ilga e APF, no fórum Lisboa, a propósito do dia Mundial de luta contra a homofobia (Pamplona Corte-Real, jurista e co-autor do livro mencionado estava entre o público e teceu algumas considerações interessantes sobre este assunto) e recordo-me de uma abordagem particularmente pertinente a propósito de casamento.
O filme exibido, "If these walls could talk", conta a história de um casal de lésbicas idosas que partilha durante grande parte das suas vidas, uma casa (que, naturalmente, só está no nome de uma delas) paga por ambas. Todos os objectos e cada canto da casa contêm uma história que lhes é comum. Vivem como amigas, perante a sociedade. Uma delas morre (a que tinha a casa em nome dela) e o sobrinho, ansioso por herdar a casa, pressiona psicologicamente a "amiga" da tia para que abandone o lar. Ela não tem como provar que metade da casa é dela, porque apesar das prestações ao banco serem pagas conjuntamente, não tendo o estatudo de casal (a raíz desta palavra é "casa", precisamente) ela não tem direito a NADA.

Quando o debate se estendeu ao público, houve uma amiga italiana que abordou o assunto, de modo um pouco agressivo (e só depois é que eu percebi o motivo da sua irritação). Não creio que ela tenha sido bem interpretada. Aliás, eu mesma, inicialmente não a compreendi, não pela diferença linguística mas, pelo alcance da sua exposição. Só depois, quando o microfone rodou para outras mãos é que digeri a mensagem made in Itália. Ela referia-se à propriedade privada e criticava o casamento enquanto dispositivo gerador de diferenças e disse: "Eu quero que me reconheçam como indivíduo!". Nunca tinha pensado bem nisso, mas ela estava coberta de razão, antes de os gays serem discriminados, são-no tod@s @s solteir@s.
Por que é que uma pessoa casada tem vantagens nos impostos? Eu quero ter as mesmas vantagens sendo solteira. E, veja-se, nem todas as pessoas são solteiras por opção. Se eu nunca encontrar ninguém que me ache interessante?

Nunca compreendi toda a simbologia por detrás disto. Alianças no dedinho anelar, qual mijadinha de gato a marcar território quando se tem uma aliança igual. Papéis assinados perante um padre e uma multidão de convidados que só pensam em coisas rídiculas "Ai, estes sapatos apertam-me imenso", "Por que é que estes santos estão todos a olhar para mim?", "Aquela saloia tem um écharpe igual ao meu, devia fulminá-la com os olhos, mas até que é gira, vou flirtar com ela".
O pai dirige-se orgulhoso, para o altar onde se encontra o futuro genro, com a sua menina pelo braço. Entrega simbolicamente (e institucionalmente também!!!) a sua filha ao noivo. A menina passa directamente da asa do pai para a asa do marido. O último nome da rapariga (que era o do pai) muda para o nome do marido. Simbolicamente diz tudo.
A parte gira do simbolismo: Gostei de saber, no casamento da minha prima, que o marido dela fizera questão de adquirir, também ele, o último nome dela (ou seja, do meu tio).
Eu posso não estar formalmente casada com uma pessoa e ainda assim sentir-me "em casa" quando me sinto a habitar no coração dela. Precisamos mesmo de alianças nos dedos para mostrar que se é propriedade e ao mesmo tempo que se detém alguém?
Eu não me quero casar, mas quero todos os privilégios que os casados têm.
Se os gays pedem direitos iguais, eu solteirissima, peço direitos iguais aos que estão casados. Também fujo aos meus impostos, tal como todos eles, a única diferença é que sou solteira. Faz algum sentido haver privilégios fiscais e sociais simplesmente porque eu jurei amor eterno a uma pessoa (quem mais jura mais mente)?

Breves armadilhas linguísticas:

casamento - "casa" é a raíz desta palavra (por ex. casado - uma pessoa que partilha a casa com outra). Esta associação de palavras não ocorre só em Português. Até em Turco a gracinha se repete: ev - casa; evde - casado.

matrimónio - "mater" (mãe) é a raíz etimológica que deu origem a esta palavra. Significa casamento, união formal de duas pessoas vinculadas por um suposto sentimento comum.

património - deriva de "pater" (pai). Significa a propriedade privada de um sujeito ou família (a própria mulher está incluída, já que também ela é considerada património do chefe de família).

Ainda se querem casar?

x-pressiongirl

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Monokini / Topless - o exemplo sueco


As amigas suecas andam revoltadas com o facto de terem de cobrir as maminhas. A notícia, que já tem cerca de 5 meses de vida, é dada em forma de caricatura, por isso vou tentar descobrir mais coisas sobre as amigas e depois venho contar.

Elas reivindicam o direito a ter a descoberto os seios e a usar só a parte inferior do bikini, tal como os homens, nas piscinas municipais. Alegam, e bem, que a obrigatoriedade de usar a parte superior do bikini é uma forma de discriminação do corpo feminino.


Se se conquistar o direito a usar facultativamente o bikini em locais públicos, temos mais uma planta no jardim feminista. Mas atenção que esta pretensa forma de igualdade é uma faca de dois (le)gumes. Como alguém disse, isto pode não significar propriamente que a sociedade esteja a ficar mais igualitária mas sim, mais perversa. Quem dita as regras autoriza mais facilmente a pornografia do que a igualdade.


Há uns tempos, uma amiga fez-me ver que uma mulher entra mais facilmente num museu se estiver nua dentro de um quadro do que se quiser entrar enquanto artista que pretende expor as suas próprias obras. Acham que é só uma coincidência, não acham? Pois, se for, não deixa de ser uma coincidência perversa.

Condessa X